às onze horas de um dia nove
de um dia novo, décimo mês
o calendário anda, cadenciando
alegrando o dia com amor
amortecendo a vida
tecendo o tempo, a vida anda
ela canta, celebrando Luiza
lembrando de que é preciso lembrança
precisando da esperança que exito
ela, vida, Luiza, com ares de anjo
vai me dizendo baixinho, pairando,
-vai que é preciso, amor, vai
e o tempo seguindo meu passo
vai passando
e eu precisando de abrigo
não, o colo de Luiza é um mundo
nele fantasio, realizo, acordo
durmo, aliso o seio da vida
luiza, avisa-me que é preciso
que é preciso bem mais que um anjo.
já não estou apaixonado
a paixão passou por aqui
foi-se a tolerância cega
foi-se o ardor em dormência
fica impregnado em minha pele
um suor latente de torpor
chega a saudade lenta, doce
chega o que chamo amor
aquele que tenta ver com o coração
já não mais cego ou desenfreado
agora já o é sensato, racional
é o amor de nós, homens, lascivo
minha boca já não precisa mais de fervores
meu coração já nem palpita eloqüente
segue em frequência embudita em teu passo
bate cada vez que tocas ao chão
e quando corres, sei que corres,
contrário ao vetor de meus passos,
palpita emocionante, os olhos reviram
se reavivam meus braços e lhe aperto
quase que instantaneamente reconheço
amar é mais que mal dar os ouvidos
é retrucar, afim de poder crescer para o sempre
fiz de tudo para te provar
da boca ao corpo, a vida e mais
fiz um colar dos anéis de saturno
fiz valer meu julgo de que eras mais
que tudo,
e tantos jeitos de amar te dei
inocentava o meu olhar
quando te amei
pela primeira vez em que
pude te sonhar
levei para casa um desejo vívido
levei comigo teu jeito de caminhar
e teus passos ia seguindo,
dormindo
um segredo tão grande que nem
pude lembrar
mas acho que sonhava com
a nossa vida
minhas mãos se embaraçavam
e não saberia assim te acarinhar
meu triunfo à tua boca,
fora um canto já conhecido
e me deste tua boca,
teu sorriso e tua ninfa oculta
brotara com teus signos e faces
fez-me menino, sonhador,
um apaixonado completo
o homem que repousa sob teu calor
o breu da noite ostenta a solidão
que ecoa horrenda em meus torpores
já se vai o tempo em que se matava a saudade
hoje em morte lenta por ela estou
sem focos de luz à me irradiar a face
apenas frias lâminas de aço, de espaço
vagando cancerigeno corte galgando o vazio
em um lar distante a habitante não hesita
seu sono é ímpar, seu número é infinito
equiparo a ausência aos grãos de areia do mar
em negativo, como sombrios retratos do além
nada haveria aqui sem você, até que cessasse o ar
e minha mudez em par galgasse teu corpo à cama
na roda gigante das nossas noites vadias
em que me perdia de perto em tuas vidas e laços
de pernas e de braços, o teu jeito de menina
cá ecoa horrenda a escuridão de estar sozinho
olhar aos quatro cantos do nada e não te achar
estanquei meu sangue até gelar e parar o dia
mas meu espírito continuava à te buscar
engrandece em minh’alma incandecente
o fulgor aos céus e ao canto indiferente
abrasa a lua em mel o meu amor que é só teu
abraça tua rouquidão d’estanque a dor
a luz flutua sobre os sete céus
cozendo à fel a noite e todos os luares
reluzindo severos claques de zigurartes
e se em meu céu o lume que me candeia
abrasar o fogo doutro céu, sem luar
que há de mim em minha quimera mártir
partir ou me jogar de verás ao umbral
e penar entre o breu sem céu e a terra em que jaz
ao grande amigo, Henrique
ando crivando os céus em alvas estrelas
chovendo em baldes de alegria
colhendo seiva e nutriente, terra
por onde estivera um dia…
calho minhas mãos em jazigos d’erva
nas cascatas e nas castanhas raízes
vôo largo, longo, longe de diretrizes
caminhante diurno de noites de minerva
poentes vazios em cais sem porto
sem vozes e sem distorções, fazias
de verás foste amigo, ainda o é
acaso a distância já não distancia
daquela janela ainda se ouvem rabiscos
dos meus pés, ouço seus passos
mas já não o são só passos
de minhas asas sinto o teu rasante
em terras deslumbrantes por onde aprazem
teus longos e negros cabelos compridos, fugazes
valendo ao mundo, um ar desconcertante
amigo meu, já o é comigo um anjo guardado
em céus d’outrora navegante
agora guardo contigo um bom semblante
foste comigo um rouco grunido
de um mundo calado
aonde for, irá junto meus pensamentos
ora, se já és a dona de minhas razões
por que não dos meus pensares e zelos
se meus dias ao longos das horas prezam
por estar zombamdo da minha tristeza
estando ao teu lado, mesmo que em pensamentos
já era tempo, bem lembrado…
de me encontrar nessa vida
tão arredio que estava, tão sozinho e sem norte
me aparece você, com seus fios dourados
e suas palavras doces de menina-moça,
suas caras e bocas,
tudo alegra meus dias e minhas horas passam
macias e totalmente suas horas
és agora… senhora do meu sorriso
e dentre todas as coisas que encontro em meus passos
estou certo…
foste o acerto divino mais do que preciso
tua face carrega em si outras palavras
assim como haverão silêncios ensurdecedores
fazendo par com a claridade atômica
teu sorriso me remete à uma explosão sem fim
e que sem dó de mim aponta meus desleixos
tua boca é uma fonte de quimeras reais
são fantasias vívidas e tocáveis
audíveis e belas canções entoa ela
teus segredos ainda são velados sem trégua
e que sem dó faz de mim um desnudo inferno
teus olhos já não me dizem mais palavras certas
me arrepiam agora me fazendo sentir
o que antes entendia somente
teus olhares me fazem querer e querer tua paz
e eu sem dó de mim fico sem saber como se faz
e tua alma me satisfazendo a alma
vão seguindo… perpétuas pétalas
abrindo-se e revelando à si suas cores
e nossos amores tantos mudando o tom
tua alma me relembra duma paz de quimera
e que sem dó de mim me diz que é verdade
deus não encontra palavras para me explicar
já que não conhece ao certo o que é o amor
ele se cobre de redondilhas e esconde-se de mim
não soube me dizer
se quando longe de você
o quão me seria ruim
deus não afaga os versos meus ao te contar
que todas as paredes irão nos escutar gemer
em tantas noites em que o meu corpo sem querer
irá achar que o universo foi feito agora, para você
quando apaga a chama do sol e iradia ao mar só os faróis
e o ar bravio em ventania chama teu nome,
é covardia enfim, meu peito aperta e não sustenta tua falta
e minha dor então se exalta e corre pelo mar ao continente
eu sei, o meu amor é indecente e haverá de entender,
quando assim conhecer o que o corpo sente
vai entender que minha sede é do corpo e da alma
que minhas mãos são mais que meras palmas a te tocar
em um verso cabe menos do que o que eu quero dizer
por isso começo mais um verso procurando lhe escrever
um poema de amor, em um terço de estrofe sem saber
ainda o como lhe dizer o quanto eu amo você
então perdidamente emocionado, louco e talvez, por que não
tarado pelas tuas pernas, roupa, boca, cintura descoberta
a roupa caída no chão, dá um tom de nudez vagante
abro um refrigerante pra comemorar, sei que achas bom
descaibo em minha lembrança precisando lhe rever mais um instante
volto e te digo tchau inúmeras vezes em teu portão e mais um beijo
que é pra lembrar o teu sabor de vento e sal, como a praia
que eu sei que amas tanto e que para mim é o teu quintal
vagarosamente eu te digo ao pé do ouvido um suspirar bem manso
pra lhe arrepiar o braço, as pernas, teu olhar de anjo à me querer
sei que não vai me machucar o coração
por isso eu te fiz essa proclamação do meu amor terno e fiel
dizendo que daqui até o céu é pouco cabimento pra lhe anunciar
em voz altiva como a dos trovões e delicadas como a brisa do mar
e eu fiz tudo isso pra te falar, doce e firmemente
que eu amo você