31/Julho/2009 às 1:47 pm (Poesia)
Tags: Poesia
o alberto das pernas, dos braços e dos olhos
não mais o é das pernas e dos braços e dos sonhos
alberto é do impresso, do negócio e do labor
perdeu o cheiro, o óscio, o tempo inteiro
hoje ele é o sócio do lucro e amante do corretor
a ana do busto, do rosto e da cintura, ingressou
no labor das noites, das tetas e do beijo envenenado
incinerou as culpas, trocou com as juras, blefes de amador
hoje é ela a moça mais abrupta na cama de um bom pagador
o juca do samba, da morena, da serenata na janela
na rua e na travessa, na macumba e o dia inteiro
era o juca, o travesso, malandro e o avesso
hoje é o operário sem tempo, só o cansaço
ele é o juca da obra, do tijolo e do dessabor
e tal e tal, a pessoa da pessoa não o é
o é o tal e o tal e o feitor demodê
e o mal é a pessoa, a pessoa por assim o ser
e ser o osso e a carne e a paixão não rende
sobreviver é um ato de escravidão sem amor
vive quem é livre sob o ser
vive o ser que é pessoa
e não caçoa quando quer
a vida, a vida, não é o preço
é a graça de estar e ser
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27/Julho/2009 às 10:13 pm (Poesia)
Tags: Poesia
se só estou? não
tantas almas tenho
que não as posso contar
o meu motor espiritual é cosmo
o que move o vento e a treva
e a luz que se enerva aos poros
meu sangue é lendário, estrela
pó e poeira de estrela, seja lá
o que me espera por fim…
eu já estou fazendo.
minhas almas soam pranas
soam aguçosas lamparinas de som
meu rastro é irreversível
interpreta a alma lasciva forma
ou afaga calma o que precisa
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24/Julho/2009 às 1:02 pm (Poesia)
Tags: Poesia
o chão da cidade
da cidade do chão
a larva da carne
da carne à cidade
o solo da pulga
da pulga é o cão
o solo do cão
do cão da cidade
que ladra pro poste
(mas mija no chão)
…
as esquinas perpendiculam suas veias
cruzadas as veias, a hemorragia, a vaporização
umbanda, unibando, urbano chão
na veia da cidade, no poste, no limo
do poste é o cimo, do cimo é o vilão
do urbano chão, do poste é o cimo
do chão é o menino, do menino é o cão
do cão é a pulga, da pulga é a pata
da pata é o chão, do cume é o avião
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22/Julho/2009 às 12:08 pm (Poesia)
Tags: Poesia
Bom dia, humanos, sou Deus.
vim dizer adeus, já não resisto
entrego em vossas mãos o arbítrio
e as rédeas das nações
na mentira lavaram meu nome
seus pastores e padres, tantos
poucos reconhecem meu ser e nã0-ser
pelas eras nunca havia visto
tamanha iniquidade numa só espécie
os loucos portadores de sua epifânia
insustentam em seus humanos corpos
sabietude tal que seu código não distingüe
o meu ser do não-ser, só a alma sabe…
o louco é a pura essência no lodo
*hoje, 4 anos de blog.
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21/Julho/2009 às 6:25 pm (Poesia)
o que me engorda não são laticínios
nem tampouco carboidratos
o que me estufa, me corrói em desdobre
das vezes em dúzias no noticiário
o infanticídio, o corrompido deboche
o grito à capela e a janela cadeada
o medo do medo e a inculpa currupta
tramelas celadas pelo guiso digital
o aperto de mão fora abolido
mas a ignorância não,
é benvinda postura, a boca custura
os ouvidos perfuram,
que haverá de mim se não a loucura?
e a dita cuja que nunca parou de esperar
continua esperando… morre
não viveu, esperou, nada fez
nada além da espera que é consumada em si
somente espera sempre será
nem o sei mais, contra que moínho luto
e se devo lutar ainda…
à espera de vencer me vejo ímpar
talvez um dos três que não cansam de sonhar
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10/Julho/2009 às 12:40 pm (Poesia)
Tags: Poesia
caos… urge a cidade
acorda cinza, suja e sua
toda minha, linda, podre e sua
um sentimento de outracidade
cidade qualquer
a partir do quarto d’hotel
braseiro meu cigarro, tequila e a mão
sustento impune dor cá em punho
a tinta escoa pela esferográfica prisão
duvido da vida em sua promessa
faço, não rezo mais, espero ocupado demais
talvez tanto que nem perceba
as ruas me passam as pernas
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