Bem na hora…

aonde for, irá junto meus pensamentos
ora, se já és a dona de minhas razões
por que não dos meus pensares e zelos
se meus dias ao longos das horas prezam
por estar zombamdo da minha tristeza
estando ao teu lado, mesmo que em pensamentos
já era tempo, bem lembrado…
de me encontrar nessa vida
tão arredio que estava, tão sozinho e sem norte
me aparece você, com seus fios dourados
e suas palavras doces de menina-moça,
suas caras e bocas,
tudo alegra meus dias e minhas horas passam
macias e totalmente suas horas
és agora… senhora do meu sorriso
e dentre todas as coisas que encontro em meus passos
estou certo…
foste o acerto divino mais do que preciso

Manipulação, a gente vê por aqui…

eles nos dizem seja correto
nos pedem para esperar quietos
eles nos compram com seus super-canais

nos dizem famintos que a fome não tem pressa
eles nos querem bonitos antes de sermos feto
nos injetam hormônios para nos terem fortes

eles nos controlam desde o berço até o fim
nos dão terços e nos dizem coisas aclamadas
eles rezam suas memórias sem saberem de mim

nos despedem, nos gozam em fronte à suas mesas
meses depois nos renovam sob contratos polares
frios e distintos colares de pérolas nos compram

eles simpatizam com as extremidades, são hipócritas
eles, eles, eles
são todos eles que nos enfatizam o cinismo diário
o hambúrguer mal passado nos passando pra trás
o dejeto ejetado de suas canções de massa
suas feições sem graça e todas suas super-frações

dividem os pratos com facas laser e sabres de escuridão
nós dividimos com os ratos o que nos resta e de fato:
não há festa sem serviçais que pouco lhes questionam

são facinoras e meretrizes afamadas, tais quais orações
todas suas palavras são tensões em gaza, filtros de ar
de água, de canais
são filtros censurados ao público sem mais
e nem menos nem mais somos enganados por quem?

eles
por eles que nos dizem um simpático bom dia
um simpático, como vai? uma benção, um aumento salarial
dando-nos rações diárias, gravatas e jargões de fuga
fomentando nossa angústia e tapando nosso profundo trauma
regando nossas mudas de sonhos com suas águas salgadas
nos trazendo à tona nossos desejos de carne e de proteção

nos deixam fracos e passivos, esperando pelos céus e por mãos
algo que nos traga de volta o ar e a iluminação
então nos trazem eletricidade para espantar fantasmas e medos
nos apontam dedos acaso sejamos nós os mortos em questão

Tua fantasia louca

tua face carrega em si outras palavras
assim como haverão silêncios ensurdecedores
fazendo par com a claridade atômica
teu sorriso me remete à uma explosão sem fim
e que sem dó de mim aponta meus desleixos

tua boca é uma fonte de quimeras reais
são fantasias vívidas e tocáveis
audíveis e belas canções entoa ela
teus segredos ainda são velados sem trégua
e que sem dó faz de mim um desnudo inferno

teus olhos já não me dizem mais palavras certas
me arrepiam agora me fazendo sentir
o que antes entendia somente
teus olhares me fazem querer e querer tua paz
e eu sem dó de mim fico sem saber como se faz

e tua alma me satisfazendo a alma
vão seguindo… perpétuas pétalas
abrindo-se e revelando à si suas cores
e nossos amores tantos mudando o tom
tua alma me relembra duma paz de quimera
e que sem dó de mim me diz que é verdade

Uno Deus

deus tratou de se explodir
afim de se conhecer
pois no aperto de seu peito uno
vagava um sono profundo
sem se saber

assim deu-se o cosmo puro
rotativo, orinundo de seu corpo
mas deus fascinado e louco
deu vida à cada peça, à cada sumo

deus contou sua história à si
revivendo pela única infinita vez
indo e voltando ao cerne do tudo
conjugando seus verbos, zunindo sons
vibrante era seu ruído mudo
no fim de tudo, havia nada
apenas outros universos
outros curiosos deuses, diversos

hoje sou um curioso pedaço dele
do curioso deus que expandiu
afim de melhor se ver
entender como havia de se acontecer

chegar ali requeria viver para sempre
sempre voltando á entender à si

cá hoje, nós
vagabundos
profetas, poetas
orinundos do céu e da terra
filhos de luas e cometas
vagantes partes de deus
como quem não quer nada
explode
pra saber o que se é
sentindo o que se está
vivendo o que foi
e continuando sem nada entender
(afinal, deus pensava que era tudo)

Tempo do não-tempo

sinto por um fio, estou por estar
sentindo a irresistível hora
que é senhora da solidão
e não tem hora descabida
é agora ou depois, quando quero
quando bem entendo por partir

os lugares já não são mais meus lugares
as pessoas já não tem cores reconhecíveis
vultos de alegria me contagiam e somem
entre um breu de lágrimas escuras e tardias
tal qual quem já pressente não estar presente

a aparência difícil das coisas me conformam
mas em natureza eu repito um ato impróprio
assim me entristeço pelo imóvel ser, estagnado

e assim, intacto anjo negro, lavo meu corpo
e levanto meus olhos aos céus que já não mereço
meu destino é vagar
é tentar entender

não me ergo pela culpa de me saber tolo, incapaz de ser
feliz ou de assim fazê-lo

que tesouro carrego eu em minhas costas?
que asas são essas, negras ou alvas?
em que dia hão de chamar pelo meu nome
em crivos insanos sem onde, nem quando
haverão sonetos ou clarins, velas, prantos
risos ou deboches?

abre meu peito e sangra tal qual o feito
e canso
sob minhas mãos habitam segredos que não reconheço

sobre minha cabeça habitam trilhões de estrelas
e em meu corpo todas elas presentes se desmontam
meu sorriso em supernova se fecha
calado,
ouço o nada me dizendo a hora

não há tempo

Em meio ao mar

deus não encontra palavras para me explicar
já que não conhece ao certo o que é o amor
ele se cobre de redondilhas e esconde-se de mim
não soube me dizer
se quando longe de você
o quão me seria ruim

deus não afaga os versos meus ao te contar
que todas as paredes irão nos escutar gemer
em tantas noites em que o meu corpo sem querer
irá achar que o universo foi feito agora, para você

quando apaga a chama do sol e iradia ao mar só os faróis
e o ar bravio em ventania chama teu nome,
é covardia enfim, meu peito aperta e não sustenta tua falta
e minha dor então se exalta e corre pelo mar ao continente
eu sei, o meu amor é indecente e haverá de entender,
quando assim conhecer o que o corpo sente
vai entender que minha sede é do corpo e da alma
que minhas mãos são mais que meras palmas a te tocar

Alguém me faça um favor

meu horizonte já não há
há tempos que venho me perdendo
sem fome, sem sustento, sem ar
colhendo delírios impagáveis
tramitando desejos sem proveitos
o mundo é um escarro sem jeito
minha vida toda é violentada pela carne

já não há coordenada, nem alvo
sigo placas estacionárias e vivas
sigo para as investigar,
o que as deixam vivas?
o que as permitem guiar
quiçá assim querê-lo, com que dom?
com que anseio apontam os dedos?
com que dedo por assim falar

já não mais vejo sentido por cá
mas o sentido neles se perderá
que fará por nós um favor sagrado
alguém que os faça sofrer, que os cale
mostrando que de toda a vida que lhes havia
não cabia neles um só segundo que valha
a dor que a terra passa pra nos ver andar
e andar e andar sem saber por onde ir
sem saber caminhar

pois quem caminha segue um caminho
e eles se cansaram de andar e andar
quem fará o imenso favor de lhes ensinar
a deixar a alma guiar os pés e a voz falar
o que está no seu caminhar, passos de som
que os faça bradar ao peito a coragem
de fazer por que assim o quer,
por dever sem lei, pela regra de sua alma
da fonte essencial de todas as almas
que os faça sonhar com os olhos do criador
e que os faça criar um sonhador
em macro e micro,
que os façam bonitos somente por saberem quem sou

Santa Blasfema

flagrei-me em delito quando
sem notar-me em minha vontade
já ocupava de ti a alma e sangra
em lençóis as manchas da impureza
tua pele desgarrada já era minha pele
e em meu delito santo me flagro
chamando-a somente de santa
pois de virgem já não tem nada

Sem Cabimento

em um verso cabe menos do que o que eu quero dizer
por isso começo mais um verso procurando lhe escrever
um poema de amor, em um terço de estrofe sem saber
ainda o como lhe dizer o quanto eu amo você

então perdidamente emocionado, louco e talvez, por que não
tarado pelas tuas pernas, roupa, boca, cintura descoberta
a roupa caída no chão, dá um tom de nudez vagante
abro um refrigerante pra comemorar, sei que achas bom

descaibo em minha lembrança precisando lhe rever mais um instante
volto e te digo tchau inúmeras vezes em teu portão e mais um beijo
que é pra lembrar o teu sabor de vento e sal, como a praia
que eu sei que amas tanto e que para mim é o teu quintal

vagarosamente eu te digo ao pé do ouvido um suspirar bem manso
pra lhe arrepiar o braço, as pernas, teu olhar de anjo à me querer
sei que não vai me machucar o coração
por isso eu te fiz essa proclamação do meu amor terno e fiel
dizendo que daqui até o céu é pouco cabimento pra lhe anunciar
em voz altiva como a dos trovões e delicadas como a brisa do mar
e eu fiz tudo isso pra te falar, doce e firmemente
que eu amo você

Cantiga de Velhos Pomposos

tanto tempo que ficou para trás
chego aqui sem nada à dizer
e no entanto quero só esquecer
o que na vida não posso mais

e que no escuro dessa solidão
a vida volta ao seu lugar
e volta sem estar
aqui onde morava um coração

numa juventude erma decidi mudar
vendi meu sorriso, tomei o prumo
mas não contente apostei tudo
o que tinha em minhas mãos, sei lá

nem sei ao menos o que pus à mesa
sei apenas que minha boca roxa e pequena
não soube dizer não
quando queria dizer não

foi assim, arriscando a felicidade
por troca de uma ingenuidade
genuína fonte de aflição
dei meus sonhos, meus princípios
minhas razões

à uma vida mansa, insípida
à uma derrota de antemão
velho hoje, porém arrependido
dei meu suor, venci para o inimigo
que hoje eu chamo de patrão

lembro somente das minhas carruagens
dos meus jardins sem cor, das viagens
da paris em que esbanjei a cesta, a pompa
mas nada vivenciei, apareci no jornal

caído nesse sofá carérrimo
com meu trajado térmico
durmo sonhando com o passado
ai, o passado que me passei pra trás
em busca da morte feliz
é o que se diz…

em minha cama jaz um amor bandido
com uma aliança me tornei seu marido
com um bom emprego, um bom pai
mas hoje só sinto dores de artrite
que o dinheiro não trouxe, mas se insiste
eu lhe digo que trás, foi o olerite

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