amor, somos tantos os que te amam
somos profanos que declamam
nossos peitos infantis
ai amor, somo todos apaixonados
somos bobos envergonhados
que’stão sempre por um triz
ai amor, sou apenas um dos demais
mas sei que simplesmente sou capaz
de te fazer feliz
amor, aqueles que não sabem o que diz
são por hora atores de um luar febril
mas amor, sou apenas um
que declama o meu amor
por ti
acalanto em teu suores
em tuas caras zangadas
de todas tuas risadas
das cócegas que te fiz
amor meu, és fulgor dourado
que o céu toma emprestado
pra acordar o dia em que te conheci
o homem pariu
deus e diabo
no mesmo dia
talvez maio
talvez abril
mas é certo
que o homem anil
não nos findou rosados
castanhos, ocres
nos findou almados
armados de estado de choque
esse homem que nos zuniu
nos céus de maio ou abril
nas cadeias do sangue
do sangue do nosso sangue
nos mostrou
e vimos yin, e yang
eu não vejo mais sentido
nem motivos de querê-lo
sinto a falta por apego
sinto um imenso mal-me-quer
à mim pouco importa
se ele tarda e não volta
a saudade nunca se faz
presente, ou não me preenche
eu só sei que ele me quer
mas com ele não estou contente
acho que de repente,
nem sou sua mulher
o carinho não me afaga
o afago não me entende
pode ser que não me faça
bem, ou não faça seu dever
eu só sei que ele faz o bem
mas o meu bem me quer
e com ele não estou presente
é diferente,
ele que faça o que bem quiser
quando você pensar em mim, longe já estarei
se lembrardes do meu sorriso, como sorrio pra ti,
comigo estarás, velando minha revolução calada
há de me pensar quando ouvir o farfalhar de folhas
daquelas que deixa o vento guiar pelos bueiros e pelos ares
se souberdes que eu estarei ao teu lado seja o que for
e eu estarei em teus braços de deleite e de carinho
pra me aninhar, acaso o aninho for preciso, acaso for
se o furor de nossas pernas não estarem nos unificando
quando lembrardes de minha voz, da minha rouquidão de festa
do meu beijo descompassado, num ritmo que não se entende
quando lembrardes do meu sentimento ousado de te amar cedo
cedo ou tarde lembraria o amor de nossas bocas simétricas
e de nossas orelhas espelhadas, de nossas caras de bobo
do silêncio de esfige, do te peito, do teu abraço
do teu colo que na noite é tudo o que mais preciso
se souberdes que eu deixarei tua presença me animar
vai desconfiar de certo que eu sou teu namorado
sem adeus
o meu cigarro trêmulo em mãos
em algum lugar desse mundo
frio gélido, úmido, trépido
traguei o inverno em meus pulmões
morto ar em meu peito, ressucita
das cinzas, das brasas, uma fênix
um cravo me engole o rosto, o crivo
a flor que já era tempo,
nasceu ao relento, anunciou a primavera
ah, eu fadado ao excreto verão
calor me sobe a brasa, veraneio
me defumam os carros e os furgões
a praia me espera,
vento pra apagar o isqueiro
então, me pergunto que horas são
dei adeus ao mar, o mar me seguiu
subiu a maré, a onda rebentou
-droga, apagou meu cigarro!
num escarro de tempo, sem pois não
o outono me queria ver parar
mas voltou o inverno e me matou…
aos que sofrem, aos que precisam de nós
há uma forma de confissão
a predileta dos martires
dos que estendem a mão
sem padre, sem repetido jargão
que é o arrependimento do fraco
que é o mais fácil para a razão
hoje e sempre,
há sempre muita dor por aí
e são chances de ficar em paz
a verdadeira luz de quem faz
é estar presente lá, ou aqui
à quem deseja a luz e a pureza
à quem quer que esteja aí
faça, façamos algo pelo amor
pelo amor de deus, faça
façamos algo por itajaí
pelas viúvas de blumenau
pelos órfãos de lá
nem fome, nem frio irão lhes faltar
falta é o aperto de mão, o abraço
carecem de nós, olhos de deus
de um afago de irmão, de um alento
nem lama, sem casa, não lhes faltam chorar
lhes faltam um sorriso que os abrigue
um bocado de humanidade e de calor
alguma refeição pra alma, não o pão
um carinho sem olhar a documentação
sem imposto, nem olerite,
sem o crédito cartão, sem frescuras
eles só querem o que todos querem
aquel tão sonhado, lido e repetido
pouco feito, mas muito teorizado
aquela ajuda, aquele abraço
aquela tal de boa-ação
“eu vou, por que não?”