Vagner Heleno

Ela é Labirinto

acaso dantes estivera eu achado
encontrado, em teus abraços e beijos febris
agora me empaco perdido, feito cego em tiroteio
me sinto em Teerã jogando com a morte um jogo de azar

por alguns dias contemplava tua boca que falava doce
alguma coisa que impessoalmente poderia ser falado
mas eu queria devorar sua memória e suas alcôvas
derrubar teus labirintos e libertar à vida essa quimera

acaso e muito ao contrário, ergui em mim um esconderijo
rijo e prepotente como se fosse impreciso ser
já me acariciava sozinho, delirava sem por quê
tu já não estava aqui, somente tuas confusões estavam

por alguns segundos eu temia a solidão e novamente calava
por outros tantos eu me afugentava dos quinhões do novo, de novo
acatava minhas recomendações de ceder e ser humilde sempre
mas as vezes me sinto um anjo, sem sexo, sem saco

eu tinha mais o que fazer, e não fiz
estava esperando sentado alguma palavra
qualquer besteirinha sequer
que soasse da boca daquela mulher
algo que me deixasse a par de como estávamos
parados, intactos, falidos
eu estava apaixonado


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