eu sou um mímico no teu coração
no teu peito, tateio um signo
e nada mais simbólico que a razão
que é o signo dos loucos e sábios
daqueles que imaginam um mundo sem explicação
e depois recriam seus universos
justificam suas paixões ensurdecedoras
fico a tatear alguma mobília que me dê paradeiro
se estou num campo inimigo ou no topo da coordilheira
mas não, parece uma imensidão de espaço e sem ar
parece tão alto que um altar não comporte
ou que não me confortará o desconcerto de estar
sem saber se estou num país de maravilhas
ou na casa da vilã que nem parece má
essa criatura que imaculada ficou
nas alturas de seu sorriso branco
de quando o porvindo momento reparou e
ficou sorrindo quieta, calada, muda, em silêncio
e eu que não sabia de nada do teu lábio
da tua vida, história, do teu diário
fiquei aqui perdido, caído no labor de curiosidade
tramando algo que lhe calasse a timidez
mas nada, na doçura dos teus seios que eu não provei
mora uma esfige, uma interrogação de loucura
uma imaculada criatura que mais que uma mulher
é tamanho contraste entre o céu e a terra, sou qualquer
e não consigo dizer: não te conheço
algo que não sei explicar, talvez nem peça explicação
a cor de teus quadris deve ser de flama púrpura
profundamente um outro mundo perdido em teus sabores
mas intrigante são tuas ancas e tua nuca
é um desejo que não se explica
não se aplica, e teu silêncio se espalha
e minah boca também carece de palavra
parece então que estamos num céu-de-não-sei-onde
e me agrada saber onde estou