Vagner Heleno

Sem Lugar

eu sou um mímico no teu coração
no teu peito, tateio um signo
e nada mais simbólico que a razão
que é o signo dos loucos e sábios
daqueles que imaginam um mundo sem explicação
e depois recriam seus universos
justificam suas paixões ensurdecedoras

fico a tatear alguma mobília que me dê paradeiro
se estou num campo inimigo ou no topo da coordilheira
mas não, parece uma imensidão de espaço e sem ar
parece tão alto que um altar não comporte
ou que não me confortará o desconcerto de estar
sem saber se estou num país de maravilhas
ou na casa da vilã que nem parece má


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Nua Mudez

essa criatura que imaculada ficou
nas alturas de seu sorriso branco
de quando o porvindo momento reparou e
ficou sorrindo quieta, calada, muda, em silêncio

e eu que não sabia de nada do teu lábio
da tua vida, história, do teu diário
fiquei aqui perdido, caído no labor de curiosidade
tramando algo que lhe calasse a timidez

mas nada, na doçura dos teus seios que eu não provei
mora uma esfige, uma interrogação de loucura
uma imaculada criatura que mais que uma mulher
é tamanho contraste entre o céu e a terra, sou qualquer
e não consigo dizer: não te conheço

algo que não sei explicar, talvez nem peça explicação
a cor de teus quadris deve ser de flama púrpura
profundamente um outro mundo perdido em teus sabores
mas intrigante são tuas ancas e tua nuca

é um desejo que não se explica
não se aplica, e teu silêncio se espalha
e minah boca também carece de palavra
parece então que estamos num céu-de-não-sei-onde
e me agrada saber onde estou


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