ai, a flama adaga de metal, de arcanjos
que possessa me lavra o couro todo
e transborda-me o sangue doentil do corpo
ai, e inflama mais angústias que em tempo tardio
agora que já não quero mais adiar meus dias, feneço
contando as horas para uma hora mover e ascender ao brio
a sangria amola o que a produz e assim mantém-na sadia
a alma tem seus gumes em euforia quando rasga o corpo pelos ares
e comemora a vitória sem saber que o tempo também foi perdido, e agora?
ai, e agora já não me resta mais que esperar algum dia… e voltar
a cor de tudo
parece a cor de tudo
ao acordar do sono profundo
e ver chuva chegar do céu
e molhar o corpo que não está
a cor de súbito sumirá
a cor do todo semitom
dilúvio de cores de algum lugar
e ver o chão chegando amplo
do céu vir e vindo de lá
nunca chegar
a cor do malabarismo do som
o coda euforia astral
acorda a poética em vitral
o cromo das cores vibrando. Om
(inspirada ao som de George Harrison)