o ontem sempre acaba
pra hoje começar
a planta sempre morre
pra outra ali brotar
o bicho sempre come
pra depois outro dele se alimentar
e justiça só consome
o que o homem tenta burlar
a culpa só existe
pois depois dela há o perdão
e a guerra só resiste
pela tal da muy quista razão
a vaidade só tem espaço
quando o espelho não tem oposição
e a verdade só é justa
quando é lida pelo irmão
o passado só resiste
pra contar como é que foi
a charrete só chega cedo
depois de acarinhar o boi
o trabalho só trascende
quando se faz o que se tem de fazer
e o esforço não só rende
quando a vida nos pretende
muito mais que só a réplica
do que todos cansam de saber
a vida só não acaba
quando o lucro não é daqui
quando pensa, quando batalha
dentro e não fora de ti
pois um sábio quando anda
sabe as folhas que caiu
da árvore do pecado
e dos passarinhos que ele ouviu
a minha herança ninguém compra
pois não podem-na tocar
é intocável, exuberância
que os olhos não sabem fitar
a minha riqueza é doutra vida
é pra próxima e pra mais querida
alma penada que vive no fio,
qu’é a escada
em que o self vai me buscar