Vagner Heleno

Silêncio, Silêncio É

silêncio, silêncio é
tudo que não posso ouvir
o silêncio das torturas
das matanças, chacinas
a mudez das guerras frias
e da frigidez das notícias

o silêncio das arquibancadas
em euforia por menos um abraço
o punho cerrado emudece o ar
e a paisagem cega o espaço

o silênciar contradito
das ordens de paz
fazem o pior dos gritos
e manipulam malditos
soldados sem som, sem cais
senão a própria paz findar

se silêncio, silêncio é
o que não posso ouvir
em pleno silêncio estou
mudo e surdo, perplexo
buscando uma carta final
e encontrar um nexo qualquer
que me explique a barbárie
que emudece minha vida
eu já não sei o que falar
nem sei ao menos se escuto ainda
a paz não está perdida


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Há Felicidade em Mim

mais feliz que a vida que tive
outrora perdido estive e agora
brando em aconchego suave, sútil
mas vivendo intenso ar primaveril
em braços longos e delicados, precisos
mais que necessito, é somente ser teu

acaso trouxeste à mim, ou vieste assim
perfeita como deus assim a fez
mas meu deus, que perfeita criatura
e que bom ser tu és, que me permite até
beijar o lábio e receber os carinhos de mulher
que só ela sabe me fazer

ah, luiza, se assim te cantaram em bossa
e se em mim remoço a bossa já envelhecida
mais doida que varrida vida, assim renova
e a cantiga me vale o canto em peito aberto
e que ao certo serás mais que um tempo correto
será eterno enquanto dure, como assim dizia o velho
vinicius, poeta dos amores e eu pobre mortal
que só te amo assim como amam os poetas
a musa que vive em tua pele mais que musa é

é a mais justa parte que faltava em mim


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