vou querer em toda vida
um sonho em acalanto pra lembrar
um choro após um adeus que não vou dar
a pressa de chegar aos braços teus
vou chamar a primavera
pra colorir de flores a janela
que estarei te esperando pra voltar
e porta entreaberta vai me deixar
correr ao teu encontro e enfim abraçar
e sentir na pele o estrondo do coração
que bate forte sem alento e sem perdão
me deixando ver o mundo em solidão
mas chega a tua forma de luz e amor
vidrando os olhos meus em tuas feições
e abraça o peito meu que está doente
e chorando lentamente de torpe dor
alívio e calmaria vão levando o temor
de que não chegaria de quando foi
à padaria,
comprar o pão…
em cima duma nuvem eu vou cantar
à terra se acabando, uma canção de ninar
e quando rolar a lágrima de minha chuva
inundando o céu e as brumas do céu caírem
e a terra se lançarem os anjos que comigo estarão
quando caírem os querubins à terra
eu vou voar e bater asas, fazer alarde
zunir as sete trombetas avisando a redenção
em torno duma fogueira aqui cantarão
à chuva, ao sol, à paz, ao chão
dar-lhe-ei o pão, quando assim quiserem
e se não souberem cantar eu darei um violão
para que assim o som possa se fazer soar o OM