a cegueira perplexa
escuridão eterna
ou visão do mundo-ego
chance criativa mal-entendida
a mudez das paredes
a nudez dos desertos
caridade, epígrafe natural
ouro de vagabundo febril
pensar e falar pelos cotovelos
chance inteligível do espiritual
a surda promessa
que o observa fazer
sem muito o que escutar
usa a sua boca pra dizer
quem um dia vai ousar
chance empírica de deus
força de vontade do eu-mortal
desconverso a morte mais uma vez
pois, agora não me faço de morto
encurvo meu corpo e cuido dos meus cadarços
amarrei-te mais uma vez, corda-no-pescoço
se ela soubesse que a sorte não se faz acaso
nem é sorte, nem destino, é, pois não era
a vez de quem sabe uma quimera, edificar-se
e de sonho em sonho, de quando em vez
ver um mundo novo pela janela
arregaço as mangas e tento outra vez
um provérbio zeeeeen budista me atravessa
mas num improviso eu me remexo
um suspiro sem dor eu suspiro, à avessa
um regaço profundo, quietude e medo
é o desconhecido não tocado
intocável, improvável e preciso
eu vi um mundo novo pela janela
mas ainda tenho de quebrar o vidro
a o i m u n d o m u n d o
já não m a i s m e reconheço
se vais endurecer o prumo, não me amole
e u p a g o o p r e ç o d a vitória