30/Novembro/2008 às 2:51 pm (Poema)
Tags: Poema
acaso dantes estivera eu achado
encontrado, em teus abraços e beijos febris
agora me empaco perdido, feito cego em tiroteio
me sinto em Teerã jogando com a morte um jogo de azar
por alguns dias contemplava tua boca que falava doce
alguma coisa que impessoalmente poderia ser falado
mas eu queria devorar sua memória e suas alcôvas
derrubar teus labirintos e libertar à vida essa quimera
acaso e muito ao contrário, ergui em mim um esconderijo
rijo e prepotente como se fosse impreciso ser
já me acariciava sozinho, delirava sem por quê
tu já não estava aqui, somente tuas confusões estavam
por alguns segundos eu temia a solidão e novamente calava
por outros tantos eu me afugentava dos quinhões do novo, de novo
acatava minhas recomendações de ceder e ser humilde sempre
mas as vezes me sinto um anjo, sem sexo, sem saco
eu tinha mais o que fazer, e não fiz
estava esperando sentado alguma palavra
qualquer besteirinha sequer
que soasse da boca daquela mulher
algo que me deixasse a par de como estávamos
parados, intactos, falidos
eu estava apaixonado
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29/Novembro/2008 às 5:10 pm (Poema)
Tags: Poema
eu sou um mímico no teu coração
no teu peito, tateio um signo
e nada mais simbólico que a razão
que é o signo dos loucos e sábios
daqueles que imaginam um mundo sem explicação
e depois recriam seus universos
justificam suas paixões ensurdecedoras
fico a tatear alguma mobília que me dê paradeiro
se estou num campo inimigo ou no topo da coordilheira
mas não, parece uma imensidão de espaço e sem ar
parece tão alto que um altar não comporte
ou que não me confortará o desconcerto de estar
sem saber se estou num país de maravilhas
ou na casa da vilã que nem parece má
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29/Novembro/2008 às 3:11 pm (Poema)
Tags: Poema
essa criatura que imaculada ficou
nas alturas de seu sorriso branco
de quando o porvindo momento reparou e
ficou sorrindo quieta, calada, muda, em silêncio
e eu que não sabia de nada do teu lábio
da tua vida, história, do teu diário
fiquei aqui perdido, caído no labor de curiosidade
tramando algo que lhe calasse a timidez
mas nada, na doçura dos teus seios que eu não provei
mora uma esfige, uma interrogação de loucura
uma imaculada criatura que mais que uma mulher
é tamanho contraste entre o céu e a terra, sou qualquer
e não consigo dizer: não te conheço
algo que não sei explicar, talvez nem peça explicação
a cor de teus quadris deve ser de flama púrpura
profundamente um outro mundo perdido em teus sabores
mas intrigante são tuas ancas e tua nuca
é um desejo que não se explica
não se aplica, e teu silêncio se espalha
e minah boca também carece de palavra
parece então que estamos num céu-de-não-sei-onde
e me agrada saber onde estou
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26/Novembro/2008 às 6:37 pm (Poesia)
Tags: Poesia
ai, a flama adaga de metal, de arcanjos
que possessa me lavra o couro todo
e transborda-me o sangue doentil do corpo
ai, e inflama mais angústias que em tempo tardio
agora que já não quero mais adiar meus dias, feneço
contando as horas para uma hora mover e ascender ao brio
a sangria amola o que a produz e assim mantém-na sadia
a alma tem seus gumes em euforia quando rasga o corpo pelos ares
e comemora a vitória sem saber que o tempo também foi perdido, e agora?
ai, e agora já não me resta mais que esperar algum dia… e voltar
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26/Novembro/2008 às 3:55 pm (Poesia)
Tags: Poesia
a cor de tudo
parece a cor de tudo
ao acordar do sono profundo
e ver chuva chegar do céu
e molhar o corpo que não está
a cor de súbito sumirá
a cor do todo semitom
dilúvio de cores de algum lugar
e ver o chão chegando amplo
do céu vir e vindo de lá
nunca chegar
a cor do malabarismo do som
o coda euforia astral
acorda a poética em vitral
o cromo das cores vibrando. Om
(inspirada ao som de George Harrison)
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25/Novembro/2008 às 6:23 pm (Poesia)
Tags: Poesia
o ontem sempre acaba
pra hoje começar
a planta sempre morre
pra outra ali brotar
o bicho sempre come
pra depois outro dele se alimentar
e justiça só consome
o que o homem tenta burlar
a culpa só existe
pois depois dela há o perdão
e a guerra só resiste
pela tal da muy quista razão
a vaidade só tem espaço
quando o espelho não tem oposição
e a verdade só é justa
quando é lida pelo irmão
o passado só resiste
pra contar como é que foi
a charrete só chega cedo
depois de acarinhar o boi
o trabalho só trascende
quando se faz o que se tem de fazer
e o esforço não só rende
quando a vida nos pretende
muito mais que só a réplica
do que todos cansam de saber
a vida só não acaba
quando o lucro não é daqui
quando pensa, quando batalha
dentro e não fora de ti
pois um sábio quando anda
sabe as folhas que caiu
da árvore do pecado
e dos passarinhos que ele ouviu
a minha herança ninguém compra
pois não podem-na tocar
é intocável, exuberância
que os olhos não sabem fitar
a minha riqueza é doutra vida
é pra próxima e pra mais querida
alma penada que vive no fio,
qu’é a escada
em que o self vai me buscar
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24/Novembro/2008 às 1:25 pm (Poesia)
Tags: Poesia
silêncio, silêncio é
tudo que não posso ouvir
o silêncio das torturas
das matanças, chacinas
a mudez das guerras frias
e da frigidez das notícias
o silêncio das arquibancadas
em euforia por menos um abraço
o punho cerrado emudece o ar
e a paisagem cega o espaço
o silênciar contradito
das ordens de paz
fazem o pior dos gritos
e manipulam malditos
soldados sem som, sem cais
senão a própria paz findar
se silêncio, silêncio é
o que não posso ouvir
em pleno silêncio estou
mudo e surdo, perplexo
buscando uma carta final
e encontrar um nexo qualquer
que me explique a barbárie
que emudece minha vida
eu já não sei o que falar
nem sei ao menos se escuto ainda
a paz não está perdida
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24/Novembro/2008 às 12:06 am (Poema)
Tags: Poema
mais feliz que a vida que tive
outrora perdido estive e agora
brando em aconchego suave, sútil
mas vivendo intenso ar primaveril
em braços longos e delicados, precisos
mais que necessito, é somente ser teu
acaso trouxeste à mim, ou vieste assim
perfeita como deus assim a fez
mas meu deus, que perfeita criatura
e que bom ser tu és, que me permite até
beijar o lábio e receber os carinhos de mulher
que só ela sabe me fazer
ah, luiza, se assim te cantaram em bossa
e se em mim remoço a bossa já envelhecida
mais doida que varrida vida, assim renova
e a cantiga me vale o canto em peito aberto
e que ao certo serás mais que um tempo correto
será eterno enquanto dure, como assim dizia o velho
vinicius, poeta dos amores e eu pobre mortal
que só te amo assim como amam os poetas
a musa que vive em tua pele mais que musa é
é a mais justa parte que faltava em mim
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22/Novembro/2008 às 5:03 pm (Poesia)
Tags: Poesia
11° mandamento:
não te alimentarás indevidamente
com as banhas da natureza,
pois banhas tuas assim serão
ou um dia não mais serás aqui,
pois aqui jaz um leitão
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19/Novembro/2008 às 9:59 pm (Poesia)
Tags: Poesia
continuamos vivendo,
amando e correndo
andando quando preciso for
estamos comendo
e vomitando
roendo os ossos do Sr. Doutor
coincidimos desastres
alegamos contrastes
como um bem não divino
continuamos estando
sendo e interagindo
estamos chovendo
e secando
alimentando a carne de Narciso
ataremos as cordas
puxando e torcendo
estaremos no entanto
diante do espanto
e fortes e grandes
pra não sair correndo
continuamos pensando
fazendo e achando
tesouros encravados no tempo
cavando soberbos sem tanto
fazendo poeira ao vento
continuamos morrendo
continuaremos
crescendo e crescendo
até chegado um dia santo
ou nem tanto
nunca chegaremos
acho que nem saberemos
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