solidão fora de si
habita o frio do breu
a luz do cigarro
a fumaça dos dedos
solidão dora, torci
lenços de poeira
da secura do meu ser
a brutalidade é viva
solidão fora de mim
aqui não há lugar
habita a lápide fria
da escuridão do fumo
do limo e do abandono
quem é santo fica ao ar
empinado com as linhas
da pandorga, paralelepípedo
que jorra nos aviões
quem é santo se desdobra
fica mar, fica relax
com saudade do céu, semblante
que sorrindo se desloca
quem é contente se desfaz
ao ver que o amor não é assim
um doce pra qualquer rapaz
e que quem fica doce, se jogado ao ar
azeda antes de virar um pão-de-céu
quem é contente se desdobra
ao ver que a dor nada faz
um sal ao mar é pouco, pra salgar
e sal nos olhos de louco
a diferença nenhuma o faz
quem é santo voa como Aladin
no seu tapete voador
beirando o palácio lindo, lindo
que construí noutra vida
pra me lembrar nesta vinda
nessa vinda intensa de amor