Vagner Heleno

Fora de Si

solidão fora de si
habita o frio do breu
a luz do cigarro
a fumaça dos dedos

solidão dora, torci
lenços de poeira
da secura do meu ser
a brutalidade é viva

solidão fora de mim
aqui não há lugar
habita a lápide fria
da escuridão do fumo
do limo e do abandono


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Santo Triste

quem é santo fica ao ar
empinado com as linhas
da pandorga, paralelepípedo
que jorra nos aviões

quem é santo se desdobra
fica mar, fica relax
com saudade do céu, semblante
que sorrindo se desloca

quem é contente se desfaz
ao ver que o amor não é assim
um doce pra qualquer rapaz
e que quem fica doce, se jogado ao ar
azeda antes de virar um pão-de-céu

quem é contente se desdobra
ao ver que a dor nada faz
um sal ao mar é pouco, pra salgar
e sal nos olhos de louco
a diferença nenhuma o faz

quem é santo voa como Aladin
no seu tapete voador
beirando o palácio lindo, lindo
que construí noutra vida
pra me lembrar nesta vinda
nessa vinda intensa de amor


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