19/Dezembro/2007 às 1:39 am (Poesia)
os lábios são fogueiras inundadas
não há mais quem me atice
brasas de sorriso me carecem
feridas na chama,
de quem me ama, frases de improviso,
fazem com aviso o mal estar por vir
os olhos ficam carregados
enquando o peito aperta
o sopro falta no vulto da porta
sou morto vivo enquanto ri demais
eu que não carrego o fardo da vida
não desperto paciência nem abrigo
faço a falta que fazem os isqueiros
quando o último cigarro pede calor
eu que não me obrigo a sentir solidão
não me vigio enquanto espreito teu ato
com aviso prévio e sem motivo óbvio
a euforia é um remédio antigo
para as dores que se nega abrigo
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19/Dezembro/2007 às 1:03 am (Poesia)
o frango à girar não cala a fome do cão
na espreita da ciranda a roda anda, eu não
a vida é uma pirueta e que até pomba gira
eu já sei, pelas facetas da vida
e das piadas que nos aprontam os furacões
a moeda que paga o preço do carrossel
que gira, que gira, que gira brilhoso
na noite em que os tontos são lustrosos
fantasmas de armários, funerais e papões
são fardos de granito e herculosos trabalhos
são meticulosas ilhas móveis
flutuando no bailar das sirenes
à meia noite um corpo, ilustríssimo corpo,
pende no varal com roupas indespidas
despedindo-se das facetas
das piruetas
e da roleta-russa da vida
é um colorido, jazigo,
de cores trepida
sem juízos prévios
o julgo e o réu
soam perenes
seus letais abrigos
cochicham voadoras moléstias
na varanda do parque
paquera a morte na janela
no girar dos estribilhos tristes
que da sala o rádio impregna
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19/Dezembro/2007 às 1:02 am (Poesia)
o sorriso aberto do clarão do sol
vem abrasar nossa harmonia que mal ia
a perfeição, calor dos braços teus
que me tenram abraços de chama corporal
ah, essa vaidade de te ter em mim
como quem ama o conforto dos cobertores
no frio do inverno, enquanto amores
que todos teus desaguam a sós em mim
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19/Dezembro/2007 às 1:00 am (Poesia)
o mundo assombra com fantasmas histéricos
sentimentos estéreis e pecados de outrora
o mundo resplandece fugas de morte
enquanto pulgas assolam tolas armadilhas d’aurora
tem cá, vampiros de consciência moderna,
tem cá, as memórias mesmas e vãs
o mundo assopra as vidas
que se tornam feridas em divã
o mundo nos cobra imunidade
força e frieza, mas tá calor
calor que é uma beleza
o mundo que faça-me o favor
de me encharcar de proeza
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19/Dezembro/2007 às 12:59 am (Poesia)
a carne essa que dispersa está
diversa entre a poeira e o sal
na brisa do afago que é teu
é um impreciso mortal
que se desentoca correndo
para luz cegante do céu
que quando a doença aperta
o peito divaga na corrente
que o sangue planeja,
solene, a corrente das eras
quando se foi na eterna euforia
o humano corre, cai
e abraça as pernas
na tentativa cruel de velar os olhos
da luz que cega, cá fora
onde aflora a loucura sincera
solene, a batida das pedras
quando se dói na dor inativa
negada com a sombras aladas
das aves retorcidas do umbral
da luz que erra os nós
cá fora
onde o saber não s’encerra
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19/Dezembro/2007 às 12:57 am (Poesia)
a porta aberta
ziper não está
a perna aperta
a coisa é certa
-vai rolar
e enrola
entrelaça
cai a camisa, o véu
que não passa de véu
que a tempo não via o céu
Alberta
aberta
como o ziper
agora está!
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