26/Setembro/2007 às 2:10 am (Poesia)
estranho os soluços que desbravam o sorriso
que desmentem as alegrias
que me fazem chorar
duvido dos ungüentos de dores medonhas
que avisam que estou vivo
que não tardo a revidar
contemplo sedento o relógio pra depois
ancoro a tempo de poder descansar
que não tardo e revido
com os melhores princípios
eu ei de te dar
mais que um breve contorno
de um corpo tímido com cor de luar
cato entre presságios que não vaguei
que me dão força pra partir
que não me deixam sonhar
acho teus sinais perdidos na virtude
que a vaidade não quis tocar
paro o momento do primeiro desejo
o caminho tanto quanto a chegada
me calarão tantos açoites vazios
que o tempo não tarda a me dar
que não tardo a te ter
que eu não perco a pensar
que pode errado ser
que eu paro pra sentir
a última brisa do lar
do mais breve momento
um leve ungüento
pra ferida sarar
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26/Setembro/2007 às 12:44 am (Poesia)
eu tou rodopiando onde outros caem por terra
eu fico colhendo flores donde mortos adubam
eu planto sorrisos nas nuvens erguendo os dedos
eu colho as lágrimas alegres da chuva
da chuva que eu provoquei nos que me julgam
eu retrato os segredos cruéis do fogo
eu com as mão acendo a vela
com os pés calo o trovão
travo a janela com meu olhos
com a certeza de que vou abrí-la
eu conto as estrelas que já contei
mas dou outros nomes ao céu
eu brinco onde as crianças já cresceram
eu acabo com a noite velando tuas pernas
perambulando na cama onde velo entres sonhos
discretos consolos nos cabelos dela
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25/Setembro/2007 às 8:49 am (Poesia)
os eruditos cheios de erudição
desconhecem o erotismo
saúdam contentes
nossos parágrafos
novos espasmos e lucidez
eles se presam demais
eles se querem demais
se sabem não negam
foi estudo bem pago
redigido e anotado
pelo cronograma do pai
e nem sempre é jamais
eles pensam demais
eles bem sabem, eruditos
que em sonho repete
e no pulso, a gilete
se a frase não sai
eles são sombras de brás
eles nem sangue tem
são moribundos acadêmicos
eles são esmolas de porto
que se trouxeram em naus
os eruditos cheios de erudição
o bom é pensar noutro lugar
tão longe das bandeiras
das quitantas
mais perto do bar
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24/Setembro/2007 às 8:23 pm (Poesia)
eis beleza vazia
o palavreado é requintado
tem cardápios bem vestidos
e feijões reesquentados
amoras fru-fru, framboesa
doces de doce cajú
da casa de Moema
que aqui plantei minha vírgula
bem aqui, no meio
e não houve necessidade
nem sequer por caridade
de vossa anunciação
eis aqui vazio o pronome
eu que nem o sei
eu presumo, presunto
margarina e patê
é de coisa simpluda
essa minha letra imunda
que a cul(r)tura não lê
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23/Setembro/2007 às 5:04 am (Poesia)
ô minina
cê não bebe pra esquecer
cê não bebe pra chorar
cê não bebe pra cair
se não sei onde encontrar
se não sei onde sair
eu te chamo, ô minina
s’eu não sou, pode existir
eu não vô te apurrinhar
ah
se eu não canso de dizer
se eu não penso em falar
se eu não tento te trair
cê tá querendo entrar
cê se engana e pode ir
eu te enxoto, ô minina
s’eu vacilo, cê tropeça
eu nem vô te apunhalar
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15/Setembro/2007 às 6:14 pm (Poesia)
a vida é um paraíso perdido entre os dedos trépidos
sorrisos modestos e abraços velados
entre rios salgados
dois dedos de suor
e um mundo inquieto
e o desejo maltrapilho
recusa sondada
a lágrima é salgada
que seja doce
que seja doce
e antes fosse
cantar os que não viram
os dias
que sejam doces os dias
é só uma profunda ferida
sangrando e sangrando
amarga como
suave como
doce tolo
eu, consôlo
tolo doce atrevido a querer o bem
eu sou um homem
…
sinto como se me tivessem rasgado a alma e me tirado a alegria e o amor que sentia dos outros, e agora é como se meus carinhos e meus bem-quereres fossem vãos e não sentidos
me sinto um morto, imperceptível
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11/Setembro/2007 às 6:28 pm (Poesia)
ainda me caso com ela
de papelada, véu e grinalda
se ela querer
se ela bem querer
eu caso, eu rezo
eu confesso pecado
eu peco com o maior prazer
de véu e grinalda
ainda me caso
se acaso for meu amor o amor dela
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5/Setembro/2007 às 6:43 am (Poesia)
quando chamo teu nome, bentita
será calma vinda que terás ao vir
como o tempo respeitando o dia
na corrida das horas,
num suave exaurir
comprimindo os olhos e calando a boca
te deixo estranha
acontece que a fúria deslumbrante
ao pecado inusitado
os amantes não se cansão de fingir
a porta semi-aberta, a hora de sair
vem cá que quando pulo teu sono
eu cubro teu corpo com meu corpo
e desenho no recado que deixo pra ti
um rabisco desfocado pela manhã
um capricho inevitado e febre sã
a loucura morna dos teus seios
são tonturas de noites sem dormir
ao relento dos teus braços
só te deixava um abraço
e um bom dia…
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