25/Agosto/2007 às 11:39 pm (Poesia)
o humor distraido dos cegos
trouxe, é teu presente
consuma e prepotencie egos
masturbe injúrias e lástimas
valha cada tustão roubado
a carne é matiz do absurdo
eu comprei, quilos de consumo,
traguei as esmolas de Cipriano
sou chão e esmurro corpos nus
vago entre meu nome e lugar
sou um desconjurado
sou um trapo de santos plebleus
sou cardápio de banquete chique
arrepios em peles in-vívidas
intrigas e açoites, enfeite
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18/Agosto/2007 às 10:02 am (Poesia)
trago nas mãos um afeto
este tão enfermo afeto
trago vazia minha força
está louca e furiosa força
minha oferta de vida
lhes ofereço, minha vida
minha dívida com esta
lhes dou o que resta
esta minha vida
que é de toda um amor
sondando olhares alegres
eu lhes quero bem
amigos
olhares alegres
dois pequenos olhinhos
sereno de manhã orvalhada
não deixe cair
uma só gota
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17/Agosto/2007 às 7:39 am (Poesia)
tenho um medo que me açoito
a corda da forca, clave de dó
os braços se trocam nos ombros
um choro vadio me vem aos olhos
tropeço nos pés ante a janela
o luzir das lâmpadas fora de foco
o frio gela o olhar perdido
não há tramela
meus dedos quebram o copo
e nem uma gota eu perdi
naquela porta tem um vulto
com o aroma de túmulos alvos
de mármore frio
é apenas meu soluço de sombra
sombra fria que vem de mim
o luzir das correntes presas
alternando entre um e nada
um e nada
nada e um
um e nada
…
…
…
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17/Agosto/2007 às 7:30 am (Poesia)
eu vou subir nas nuvens
que vão elas te levar esse frio
vou flutuar e reluzindo sol
te levar calor em brisas de anis
são quatro da manhã
eu nem penso em ir
quero teletransporte
um bom dia
sem prévio boa noite
talvez voltes à dormir
depois desta,
o melhor é sorrir…
ou não
no caso, acaso
caso
nem questiono
não sou meu dono
sem sono
volto, revolto
ao vento solto
…
da nuvem que vai me levar
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16/Agosto/2007 às 4:25 pm (Poesia)
out of focus
focuses
distance in lines
drop the energy
why the life?
out the storm
rain of knife
or maybe
twice
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14/Agosto/2007 às 4:44 pm (Poesia)
amanheceu com cores novas
esse céu nublado de algodão
para procurar teu rosto
entre cores perfumosas
de suspensos jardins
flores de trovão
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12/Agosto/2007 às 8:21 pm (Poesia)
sinto preságios de revolução
algumas áreas devastadas
pedregulhos no sapato
mas ando descalço agora
me sinto sozinho
fazendo parte do corpo
do universo sereno
sendo parte do todo
em cada grão e pensamento
faço união com o Maior
mas sei que é melhor ficar
e seguir
mas seguindo lutando
um segundo é complexo demais
um samba me distrai
mas cá, universal, só
mas cá em mim um todo
um tolo cá em mim
por todo o sempre
um bom coração
repleto de vaidades
manias…
chorar não necessito
que quer chorar
é sim o universo
esse planeta
que deságuo com ele
é vasto sentir que permeia cá meu peito
amplo devaneio sem receios de crer
nele, meu caminho, mesmo cedo deixando
de ser tudo aquilo que me predestinei
vou lutando em cada gota das minhas vidas
deixando legados sem saudades
mas sim tratados de paz entre as razões
se for me embora, agora, não voltarei
por isso quero ficar e ampliar o trabalho
e distorcer o antifoco dos olhos d’alma alheia
que são todos meus corpos sensíveis, oniscientes
eu choro com as cachoeiras de luz violeta
que atraindo pó nessa era já se cansa
é pequeno facho de um cigarro meio apagado
varando fumaça que esbraveja entre calos n’alma
eu estou vestido de um traje uniforme
alvura solta e de brilho fosco
pois me falta foco para ter saída
e permanecer
mais uma vez
um “mas”
mas uma vez ei de ser de Lá
sem dores nem porquês mais
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11/Agosto/2007 às 6:36 am (Poesia)
eu embalei a mão do assassino
compus gritos de terror por lá
fiz rios sangrantos lavarem os céus
numa noite poente no leste de cá
sobrevivi à grande onda do oriente
empunhei a espada e a lança na história
derramei entre espinhos sussurros do corpo
eu provei das maçãs de todos os libertinos
escrevi o anticorpo da luz em trevas
bebi em asas de grandes engrenagens
caçoei de grandes expoentes
perdia as contas das dores de lá
mas sorria firme aos meu devedores
fui quem trouxe o grande trabalho
as doze promessas e a dualidade
cuspi cálices de rocha escaldante
em casa tratei de se fazer jorrar
não sabem meu nome, não tem minha cara
sempre caindo no engano, assim vão
meus filhos de luz que cá se mexem
criem asas em víboras, enxotem a dor
dancem nas alturas nossas asas de fogo
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11/Agosto/2007 às 3:09 am (Poesia)
asco pleno de anti-sentidos
jogo o meu jogo sem riscos
não perco, nem ganho
sorrisos
não os necessito por ordem expressa
nem me satisfaço com obrigados
há quem me diga e quem me peça!
pois não
traga-me um copo frio de fogo
e dois cubos de doces de dor
não quero jogar
nem deixar levar
assim, indo-se pela maré do ralo
sem saber em qual boca pararei
qual lobo me devorará desta vez?
sei não,
acho que a alcatéia
terá cortejo fúnebre
eu na platéia
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10/Agosto/2007 às 5:21 am (Poesia)
a fronte de tua face
me traz clara estranheza
se és d’outrora, clareza
que agora me aparece
que traga contigo lucidez
outros trilhos para essa maria
que de fumaça se esvai
de metro em kilo-metro
entre sóis singelos
em que sois perene
sou um vago flagelo
de carne e poema
vulgo poeta
ora somente
agora eu
então
de repente
quem sabe
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