30/Julho/2007 às 7:24 am (Poesia)
hoje não há nada
nem amanhã
nem depois
não há
tudo mentira velha
coisas de nada
que só insistem
existe poréns
e não há mais
acabou
só há
tramelas nos olhos
sonhos de glória
janelas
corpos em desencontro
há todos sensos
há nada mesmo
há nem dilemas
estou protesto-de-vanguarda
dando um grito não dado
nada há por lá
nem depois
nem amanhã
nem haverá
sonhos acabaram sem senhas
sem explicações
andarilhando no ócio
terças-feiras soam sinos
e badalam felizes
fezes e vezes mais
haverão
cada um terá seu pino solto
um cão perdido
uma goela muda
hare hare damas longas
mudas de plantéis solar
somos sombras de lá
e não haverá porquês
os porquês estão vazios
sem querer saber
pontos sem mar
todos esperam
todos esvaem
pontos de fuga
gritos de muda dor
anestesia geral
sulcos no céu
sucos de limão
gelados
por curto tempo
é uma promoção de vida
APROVEITEM!
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30/Julho/2007 às 6:54 am (Poesia)
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30/Julho/2007 às 6:41 am (Poesia)
alguns psicogramas dramáticos
e basta a vida o quadro negro
das linhas dum medo louvado
seja teu segredo um fardo
aos codinomes que recebe
pagão fruto do desdenho
há de pagar
haverá de temer
os sonos que terei a te buscar
ao poder do fim do fim do fim
o todo sonho que terei
ah teu segredo há de temer
a fúria curiosa dos teus seios
quando estes tocarem a terra
há de ser a janela dos olhos
os santos mártires de outrora
te enxarcam de histórias feitas
pela pele curiosa de tua mão
há de ser bárbara tua morte
foice que calará nesta vazão
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28/Julho/2007 às 6:20 am (Poesia)
sonhos tecidos pelo corte
das almas que partem de lá
torpe dor obtusa no não-corpo
é uma tristeza imersa em doses
retalhando com cuidado o peso
desfazem o nó dos sonhos
que cá o somos
sonhos da dolorida alma
que cansada viver por nós
ora errante, ora bandida
vezes liberta, vezes coibida
líbido de êxtases vastos
imersos na alma transversal
vaga contigo, ó meu peito
e traga já a hora de te ver
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24/Julho/2007 às 6:26 am (Poesia)
quero roer estranha a dor difusa
entorpecer o que a paz derruba
inigualar o amor ao berço reto
distorcer o encanto em nó ereto
quero veias saltando de manhã
sais em olhos de febre sã
vislumbres de correta cor
pavores de incompleta dor
quero a carícia do amor eterno
amar contento o esvair materno
ser fútil quando bem sincero
inigular o ar ao suor severo
quero despejar minh’alma em teu colo
e cantar brisas de mares profundos
retribuir cada segundo
estoura, jaz vagabundo
o amor confuso desses invernos
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10/Julho/2007 às 4:08 am (Poesia)
o corpo brando aquece o tempo
aconchega meu sofrer e relaxa
esse corpo navegante
ele é a barca do que irá de haver
atravessar esse rio-mar
e encontrar o horizonte
no encontro de céu e mar
girar e girar com o mundo
ver o sol se pôr
ver o dia raiar
e quando a barca chega
toma a tangente do universo
segue atravessando a vida
procurando na distância
cores acalentadas, beijos
e um perfume de tangerina
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8/Julho/2007 às 11:19 pm (Poesia)
tem uma velha louca gritando no meu peito
ela se denomina paixão
crê agora em novos frutos furtivos
crê que pode criar sementes de amor
com gosto de lágrima feliz e chuva doce
com cores de sóis e manhãs ao mar
ela vai me trazer o vento do mar aberto
vai contar incerto quantos sonhos tenho
e revelar em beijos o nome santo
e vou plantar e florecer unido
e contar e contar e contar
os sonhos famintos
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8/Julho/2007 às 7:38 pm (Poesia)
a mão descontrola
a febre que tomou conta
não se desfez
não se consola
o corpo cala
e o peito consente
ausente sinto falta
em falta fico vazio
a tempestade lá fora
a madrugada decora
novos ritmos e cantos
duetos de risos fabulosos
um convil miraculoso
um encontro de memórias
pernas trançadas na trama
a dama reescreveu um sorriso
e belas cachoeiras de sol
num quarto escuro numa manhã
a cumplicidade que me faltava
braços perdidos e pernas únidas
um além não completo
um aquém discreto
o mundo continuava lá fora
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7/Julho/2007 às 5:10 am (Poesia)
um tango na varanda
um martini com gelo
um cheiro de chuva
um novo cabelo
um cheiro de chuva
um travesseiro
um carinho atrevido
uma foto no espelho
um arrepio no corpo
um luar desvairado
a cama na varanda
o corpo nu aflorado
um toque à dois
uma lembrança
um passado
um só
sem depois
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6/Julho/2007 às 3:11 am (Poesia)
condeno novos filhos ao esquecimento
subjulgo o destino retalhando-o
componho passos de alegria comum
lá vou eu render-me ao belo
farrear com o mais simples
e o mais puro ar respirar
deixar os venenos e as línguas
os complexos e as madrugadas
serei eu o que sonhei
puro como as nuvens
e como as nuvens, passageiras
embarco nesta vida ao simples
e desfruto do caminhar
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