28/Junho/2007 às 4:39 am (Poesia)
um mundo que necessita de dor
é isso que percebo
a dor mais pessoal
de indivíduos que são
alguém precisa chorar de raiva
e esmurrar a porta do lado
tensionar-se e irradiar rancor
alguém precisa sentir mais
(e deixar de sentir muito)
precisamos colaborar com a dúvida
não saciar o não pelo tudo bem
é preciso respirar a poeira do ar
se faz necessário correr nu
qualquer loucura para distrair
imune aos choques e hematomas
eis nossa nova moradia
a casa dos fracos anestesiados
que não dormem por covardia
é lá que está roncando nossa juventude
deixando cores de crepon barato pela rua
e lá vem a chuva que é um barato turista
e lava e leva e seca a euforia
me dêem novas pílulas
novas garrafas
sequei as veias com o que sabia
e estanquei, em mãos exatas
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27/Junho/2007 às 6:28 am (Poesia)
quando perceberes a tristeza da vida
ela já irá se esgotar no teu medo
e muito tarde vais ver que sim
ela é um velho peso que está em ti
não é brincadeira minha doce amiga
não é desleixo nem pura emoção
aglutinando novas experiências
a vida pede clemência, por favor e perdão
vais voltar e rever as lágrimas
que deixou ao relento e covardia
o peito bradou nova algazarra
te enganou e acabas de perceber
vida, modéstia insana
de se saber viver
dolorida, a gargalhada é abrigo
e recolhe teus sentidos
no amanhecer
vai e percebe agora quem é ela
olha para os lados e sofra também
vê a lágrima, sente o frio
o pesadelo é viver sem pavil
recolhe tuas lástimas
tuas caras e bocas
repensa teu sorriso
arruma teus cabelos
o espelho brinca contigo
pois é meu parceiro
retira esse copo
seca esse rosto
vai esfriar a cabeça
vai pensar na mulher
que te espera feliz
teu retorno é a glória
tua história é um triz
volta minha caminhada
aos teus passos febris
volta solene incansável
volta e de partida cansada
descansa no por fim dos por fins
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22/Junho/2007 às 5:48 am (Poesia)
o carro conduz meu amor
o sangue impulsa minha vida
o coração bate e soa a razão
a razão tilinta a penitência
a petulância proteje
ausente a proteção imprime
no sorriso o amarelo belo
a mortalha comprime o alarido
a veste mais bela tu fez
a coroa deus fez de espinhos
o colorido pousou na noite
e fechei os olhos por abrigo
a vida compôs tua carne
e em juízo alguém provou
em delírio chegamos junto
pela forja do destino
eu bati a porta
eu fechei a janela
apaguei a luz
e fechei os olhos contigo
para rever o abrigo
para transbordar de mágoa
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19/Junho/2007 às 5:04 am (Poesia)
temo a condenação do juizo
e recuo antes de pecar em ato
concluo e torno sádico o puro
…
é um penar, a vida tranquila
sem ter com que preocupar-se
sem ocupar-se nem ter-se
…
recogito a pureza lírica
valendo os desejos híbridos
amnésia nos separou, a alma
…
a lama do absinto tornou-me lúdico
afago agora a brisa na aurora
contraponto poético do todo total
…
peco, navego o desconhecido
perco, jogo o jogo desprecavido
como vencedor, eu saio e não volto
…
binatural a vida segue distinta
mixando o aroma na matriz
a vida segue sem destino
…
tríades potentes, eis meu colorido
emansipar o corpo navegante
distorcido entre corpos físicos
…
dúbios, sentidos controversos
o segredo do sorriso é submerso
advirto que cá não há graça
…
uno, eu
deus
multidivisão astral do Único
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19/Junho/2007 às 4:53 am (Poesia)
a destruição é muito silenciosa
perseguida pelos passos justos
que somente os brutos pisam
o caminho é sábio reverso
e sabido, comprimo o abraço
no tempo vazio está o verso
e solto poema
cato-o num pulo astral
o pulso estala no peito
vivo nos pulsos
e respiro às mãos
impulsos
vago poema junino
percebo
conjugo
com julgo abstrato
soletro a-m-o-r
e
sem saber o que queres
mato a sede
o pulso, sangue são letras
faço esclarecer o cinza
e enegrecer o clima
entre linha sublimes
padeço, no ego cataclismo
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18/Junho/2007 às 2:46 am (Poesia)
me julgue culpado
o purgatório é meu
o destino se faz
meu sorriso se compra
a destreza se tenta
paciência insustenta
me julgue bandido
que roubei teu tempo
o preço se paga
e se apaga fácil
a ferida só sangra
o cúpido relento
adormeceu na esperança
me tenha julgado
tido, conferido
rotulado
e me prontifique
sob ordem expressa
à masmôra imodesta
ao flagelo escravo
não te confunda
não te esqueça
isto reflete
só se vê o que quer
não leia
não chegue até aqui
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16/Junho/2007 às 4:55 am (Poesia)
amor culpado, retraio meu sorriso
tenho meu olhos recaídos
sobre teu seio nublado numa manhã
e a soberba da minha vaidade
tenho debruçada na ilusão
eu me esbanjo amor, da sorte castigada
os fatos já cansam o tato e receio temer
a solidão como castigo findável
e me mal acostumar com o vazio no peito
amargurar os desleixos e me calar
e se o futuro me trouxer um lindo presente
e se o passado já me foi presente
eu sinto que não tenho momento
que pisco um olhar já visto
num relance em deleite repercursivo
numa batida solitária eu tropeço
caído a sonora contemplação
meus fracassos foram vãos
e eu nada de bom me reconheci
eu fui fraco e sou ainda
um castigo total em nossas vidas
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16/Junho/2007 às 4:32 am (Poesia)
partindo do princípio
cheguei à conclusão
estou no meio do caminho
no meio do caminho
a perdição chegou
partindo indecisa
me encontrou sozinho
relato na multidão
e tido distraído
troquei as memórias
por esquecimentos
e a treva esclareci
descrevo
o todo
tudo
partido
inteiro
em reconstrução
e construído
à partir
do meio
do princípio
da renovação
e chego mais belo ao precipício
e morro jovem como nunca morri
e como chagas vertendo a luz
a chaga é parte que suponho
a dor da recessão
do progresso travado interno
desdito belo, renego a possessão
destruo o mais amplo castelo
a casa onde dorme a perdição
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14/Junho/2007 às 12:21 pm (Poesia)
eu inquieto distraído garantindo meu pesar
e peno com o peso retraído constante, velado
com o velo, novelo, barbante
corda para a forca dos últimos filhos
abdico da sanidade tida e não obstante
eu dou o passo não contido
garantindo ser errante
transcendo, suponho
é um hipótese viver
viver é uma sondagem do todo
e o puro amor é um consolo
para saber-se só e tolo
ah, é um estorvo, impecílio
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11/Junho/2007 às 2:47 am (Poesia)
levanta um vulto ensopado de nós
de trás de ti teu espelho se quebra
o azar é o nosso e nem a espera
faria melhor regaço de estar só
entre potentes irmãos, paredes se perdem
no caminho tijolos em pó
ferragens em canivete
lá vem contente o poente
concreto para nova edificação
a emansipação da minha alma sobre mim
é um obscuro trabalho, árduo sobre tudo
e fadigado de mim, reabro a porta
deixo sair mais um pecado
que não abro mão
deixei o veneno das bocas
reunirem-se em mim
pólos em harmonia serena
reabro os olhos, caminho
um recato largado e só
é um pecado em si
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