Cadente Confuso

vasto ócio que a face encara
escarnia o desejo perigoso
primor passado à limpo na duradoura brecha
fresta de duas abas da tenra janela

o amor, janela dos sonhos medíocres
fantasiado feliz pra velar teu sono
o mais profundo, tolo e porfindado sono
fantasiado mais do que pomposamente
cego maestro duma sinfonia alegre
non allegro, non andante
cadente confuso

esse amor já me levou à tantos sonhos
e já me levou todos eles

Tão Aspero

tão aspero
é assim meu sorriso
tão calmo e preciso
e fere quem o vê
tão sorriso
é assim meu semblante
tão calmo e preciso
e reflete quem vê
tão passivo
é assim sem motivos
tão sem rumo nem lá
nem tão nem tonto
é assim que consigo
sorrir à quem me fita

tão aspero
é assim meu ato
me penúltimo ato
eu entreamarro os sapatos
e parto sem tombar

tão aspero
em desespero
por não poder clamar
nem tão soberbo
por confundir a razão
com o amor