Eufemistas, Antes Tarde!

roam meus restos malditos
meus trapos vivos
já nem me servem mais
quando respiro entôo a vértebra
que sustenta meu corpo dentre as paredes

eu já, desde já
suguei toda amnésia doentia
e me esqueci da tua face
meu caro amigo, bom dia
forma perdida no vão do abismo

desapareço antes tarde
e antes corro da vida
e finco o pé no lodo alvo
das réplicas de santa luzia
vazias no alto do morro
corrente sacra de ventania

pode cuspir nos meus destroços
sou tua carne mais que viva
diálogos entre duas verdades
a mentira ganhou arte em forma
e as tuas facetas
novos retalhos de hegemônia

verdades malditas
são eufêmicas verdades
fale o quanto puder
deseja tuas veias como varal
segurando tua obra cadente
do meio termo da loucura
entre dois dedos de absinto seco