Aréola de plástico barato,
comprou a caneta, e a palavra?
leu na regra, no canto do olho
copiou a limpeza dos banheiros
públicos, onde o trafégo óbvio
cuspiu, pisou, molhou o puro
copiou a limpeza das fezes
e as vezes provou o maduro
arco de lume vago
vagalume dum clarão sem arte
Capim-manjar
31/Julho/2006 às 5:29 pm (Poesia)
Não Há
7/Julho/2006 às 1:34 am (Poesia)
não dá pra suportar
tanta vaidade calada
tanto tremendo de amores
tantos horrores pra comentar
mas a vida há de calar
o sorriso comprado
o desejo guardado
de se libertar
não há
como ficar
aqui parado nesse hábitat
tanto selvagem pra se mostrar
quanta coragem de se negar
não dá
o respirar
afoito, aflito
em gritos gemidos
no altar
nããão há
não há tanto não há
tanto, tanto quanto há
Venuseando
2/Julho/2006 às 1:51 am (Poesia)
fiz pouco caso
do teu mal-olhado
e mal-roguei
o meu pecado
Trajado de vermelho
beijei teu seio
contrariado de vontade
o bem querer tua pele
e meu bem fazer de insanidade
Ígnea
2/Julho/2006 às 1:40 am (Poesia)
o sol vai queimar
o olhar que vê
o futuro chegar
o tempo prevê
o descanço do gelo
o copo fundi-se
à mesa do filho
dos medos de ontem
e provido de seca
e movido à carvão
a máquina da vida
o avesso, pois não!
Não quero ter de ter
Deter o começo de mim
Doutro lado do espelho
D’água, os olhos queime
Quando a sombreira
do chapéu
Torrar a face corada
de assado à assim
e desprovido de ambição
e de carcaça desfez
da vida o corpo apodrece
nada sobrará talvez
a era do fogo incapaz
de incontrolar nossa frigidez
a lágrima da culpa bebi
e no certo será
só o que eu beberei
a era do fogo incapaz
de provar nossa sensatez
a catarata é dos olhos
e no entanto quiçá
o que cessará
é nossa palidez
Dos Dois, Aos Dois
2/Julho/2006 às 1:26 am (Poesia)
dois destinos
que decerto
não vão dar
em lugar nenhum
meu problema,
eu contesto
dos dois só é um
a solução
outro caminho
que digo já
são só dois
já que leu então
o destino pela mão
tenho um humor
velho e cansado
para depois…
Promíscua Era
2/Julho/2006 às 1:16 am (Poesia)
minha mão é velha
velha como antigas promessas
promessas de ressureição
do provérbio do não dito
pelo não criado
mal criado anjo
promíscuo, indago:
ressarcido do contrário
a velha manobra perdida
anjo mal-visto, repito
onde haja luz
há também cegueira
e se há porta
há também a chave
detida pelo feitor
e desfeita em poder
onde haja luz
na porta, há tranca
onde haja cegueira
há também escuridão
Haja olhares nítidos!
onde haja ilusão