antes que cristalize a lágrima
salgar a boca
que tem o gosto do mel dormido
do gosto da ti própria
rola destilada em trouxas uniformes
vou dar o fora desta masmora
tanto desencontro, que me parta o raio
salgar a boca
a boca de lobo no trajeto da casa
duas velas de sétimo pecado
envirgindada na escola sagrada
ver deslumbrada o desconhecido de antes mesmo
antes mesmo de cristalizar o gosto amargo, decola
pro céu em que vou estar rondando
quando ir-me embora
Do Malgrado Ao Sacrifício
29/Junho/2006 às 1:47 am (Poesia)
Aos Poucos…
27/Junho/2006 às 12:12 am (Poesia)
Vai-te ao descaso
Tua despromessa
- descompromisso
Vai ficar omisso
Antes que te apresente
Em mais osso que carne
À oratória final sem juízo
Sem promessa
Vir travestida de sol
Nua, cara ou coroa
A mulher do bebê sem sono
Adormecida
Na mira de um faquir
Que omisso de visão
Aos poucos…
Aos poucos…
A noite vai calando…
Vai descansar
Já que só me esquece
Deixai-me solto no mundo
Pra ficar quieto?
Rosas, Pra Que Te Quero?
19/Junho/2006 às 11:16 pm (Poesia)
amarela rosa de roseira verde
trouxe teu cheiro de anteontem
cores de pálida roseira
veraneia no frio à gosto
roseira rosa, a folha verde
amarelada no tempo improvável
verdade, verde, amarelo agora
a rosa amarela indigna
insígnea radiante e noturna
muda, eufórica, logicamente nula
Dias Mais Frios Virão…
5/Junho/2006 às 2:29 am (Poesia)
me digas que queres
que te digo quem sou
pode crer que é bem por aí
sim, é verdade que tenho a vida toda
e a maior verdade é do nosso tempo atoa
não só me diga o que queres
diga-me também se estás sozinho
não me ronde acompanhado
pela madrugada que me é fria
não zomba na minha frente
dá-me rouca e irritante lábia
ou despede-te do meu amor
tu meu irmão louco, morto
vai te passar os dias
e tua memória cede aos apelos
meus afetos cessantes, possessos
regressões são pequenos dialetos
estou à cura da minha insanidade
meu irmão, louco, mata-me
para me passar os dias de festa
e minha memória esquece dos desejos de vida
Arrasta Turra
1/Junho/2006 às 3:37 am (Poesia)
crava no bucho
dum “gaúcho” frouxo
e corre pelo peito
rasga até o queixo
que não há de doer pouco
e carneia a língua viva
rejeita o fígado
que é de muito álcool
rompe o ímpeto moralítico
veste de menina difusa
um morto irracional
vem arrastando sua turra
que possue por desdém
nem reconhece amor
nem reclama por alguém
recebe o título de um poeta
que o pragueja todo momento
por teu dia sedentário de lama
o copo secando de uma vez