do momento em que caiu
à direção do chão
os dentes iriam se quebrar
à suave violência da queda
tritura nervos que tensionam-se
o grito dilacerou-se no sangue
no atonitonismo grato de malgrado
e tremeu-se no cordão da calçada
desaforado como um bêbado triste
ele repousou suas últimas doses
ao lado da cabeça caída.
Alcoolificina
28/Fevereiro/2006 às 7:01 pm (Poesia)
Mme.
27/Fevereiro/2006 às 1:49 am (Poesia)
vem buscar minha boca nesse instante
vem provar meu gosto
meu gesto
meu toque
vem querer meu corpo e que te quero já
sobrevôo teu peito, tua nuca
tua nudez de arrepios insanos
vão me tirando o fôlego
por baixo dos panos
Dos Perfumes Noturnos
25/Fevereiro/2006 às 5:54 pm (Poesia)
perco-me entre neblinas e noites
ainda, açoites de madrugada,
penando ao revés da corpórea manhã
do resto me falta a cura às seis
a falta de ritmo
e a ritmia do meu contrato cardíaco
é de estreita harmonia que acordo
do estado, já em alerta,
de vontade, procura, eu sacio o doce
e a amargura dos póros abertos
da felicidade plástica da minha sina
Jardins de Outrora
24/Fevereiro/2006 às 3:34 am (Poesia)
Amarga de tanto florecer
a planta branda de açúcar murcha na grama
maripousas morrem nas grades
e os pássaros se alimentam do restos mortos de asas tortas
poesias voam em papéis enlameados do barro e da chuva
da chuva de algodão, feito neve quente
matemático como as antigas simetrias das alcôvas raras
eu descrevo esta mortandade como benvinda no jardim
já que eu proponho que as estrelas fiquem estéreis, sem brilho
nem luz solar ao dia,
o grande erro foi permanecer florecendo na escuridão do mato.
Poemeto Transgride
22/Fevereiro/2006 às 2:31 am (Poesia)
goteja do telhado, última lágrima
trancada na calha
ela oscila entre vapor e pureza
esperando rebentar da altitude
nata de sujeiras do tempo
cairão ao chão de limo verde
tempestuada rolará por valas e becos
nas calçadas, molha os pés transeuntes
resseca mãos infanto-curiosas
que não sabem ao certo da dor desta chuva
porém mansa,
na mansidão do desconforto,
ela é quieta, tempestade de alfazema
mares de inquietude e trangressão.
marés de condições e vivazes,
tenazes e confortantes detalhes
da vida seca d’um poeta fútil.
A Mulher Lia…
22/Fevereiro/2006 às 2:29 am (Poesia)
leituras de calçada
da janela
vejo-a na rua
n’algum folhetim
despida de atenção
lá fora perdi,
nela e no papel,
o olhar fixo na retidão do caminho
ou labirintos enjoados de mim.
Casa! Mente!
22/Fevereiro/2006 às 2:15 am (Poesia)
categórica força motriz
máquina sádica, reinventa
vésperas, porventura,
do dia que disse, não!
nos calos onde pisava
métrico, póstumo, côncavo
dos passos contidos
junto ao ventre
- o corredor continua
roncando a porta adormecida
do meu lar
programado
por videntes e amigos
Reles
21/Fevereiro/2006 às 3:30 am (Poesia)
o ar inverte,
afasta a pluma
a pressa arde
ataca o dente
o fumo
acabou
resta inerte
a pão dormido
a fome rasteira
alisa ébria
a barriga
esvazia
a falta cede
o lugar à sede
do sono de nudez
pálpebra caída
a cama
flutuava.
Com Tua Vida
21/Fevereiro/2006 às 2:56 am (Poesia)
tua boca cor-de-rosa
reflete o teu interior
sai de tua boca
a tua fruta
o teu pecado
feito louca me morde
rasga minha pele e sai de mim!
Vem e vem, me arranha a alma
e me tira o fôlego,
meu sangue é só tua sede
tenho minhas próprias vontades
as paredes que dêem lugar ao meu suor
Corta, corta a tua obcessão
no meu ventre de gelo
deixa tua boca gelada
e nem pense
eu vou embora de ti
com tua vida.
Pois é…
20/Fevereiro/2006 às 3:34 am (Poesia)
Pois é, que teu fato
aos poucos te disse o que és.
Pois é, em um prato
raso, a penumbra, a colher
Pois é.
Pois bem, quero o cardápio
as escolhas e um qualquer
Pois é, estás à indiferença
da luta, do homem, da mulher
Quem quer?
Pois, pus, pôs tua cara ao tapa
disse-me ao virar da lata
que fez o que te foi melhor
Então.
É ao teu provérbio
pois bem, quem eu sou?
não sabes quem és!