28/Janeiro/2006 às 4:59 am (Poesia)
vem que minha língua esta fria
vem que te mato no ralo na pia
que te ponho sobre a mesa
e te como sem pudores feito fera
que te arranco os dedos
que te enxugo o sangue
vem que te mato lento
que te mato sem medo
vai que na fila dos mortos és aguardada
vai que na porta da torre és venerada
deusa do infortúnio, vai para longe
vai que na ânsia da vida estás descartada
serás o prato de ração dos cães
quero te decepar da alma e do tempo
roe teus dedos
foi o que sobrou de teu nome
morda tua larga anca
antes que a corte também
antes que a côrte creia que és santa
santa és na ceia dos pequenos demônios
canta a tua dor e teus pedaços
para urrar teu suspiro feito vendaval
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25/Janeiro/2006 às 2:01 am (Poesia)
coisa estranha é coração materno
vem sempre no pacote que sobrevive
com contra-ponto, um pequeno cérebro
faz do filho um espelho do passado
a geração fica no ponto gestativo
gestos de ordem fazendo o tal cuidado
a maldade há sem querer entre os dedos
escondido na palma, não tranquilo
tecendo aos deboches, futuros medos
embala aos terços o berço da criança
encaminhando à redoma do credo sacro
e haja saco para demonstrar confiança
dos que me pareceram tranquilos e quietos
eram filhos refletidos, pouco pensantes
e consumiam sem dó panfletos sem descontos
quem foi que disse mamãe, que não és?
a mais bela mulher, tua materna vaidade
me cobre de vida do cabelo até os pés
mãe é completa oposta e polar e fantasia
ela pode ser a conta e eu conto então
cada pedaço de Amor que eu sentia
quando olhava no teus olhos e dormia
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24/Janeiro/2006 às 5:16 pm (Poesia)
esse amor pra mim tão complicado
essa doença paira sobre a falta
o meu tempo marcado parece ser tão pouco
e ver o mundo sobre a cruz de malta
mas o dia há de ser deste ar
mas o dia há de ser deste mar
mas o dia há de ser deste céu
mas um dia há de se acabar
todos os escândalos das minhas lástimas
eu quero o bem pra todos e um pouco pra mim
estar sem fronteiras entre o Deus, enfim
sentir o Tempo subindo minhas escadas
vai pelos becos de tua morada plena
escoa nas mãos o vento e me caçoa
a terra rubra range os próprios dentes
na terra vaga os santos tem a queda boa
mas o dia há de ser deste Fim
mas o dia há de ser deste Eu
mas o dia há de ser deste Alto
mas um dia ei de ser um querubim.
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24/Janeiro/2006 às 6:43 am (Poesia)
o cão de guarda dos moribundos
não é o que caça os vagabundos
(que aqui já não há o que fazer)
um não entende de injustiça e maldade
outro nem quer saber que se passa nessa idade
enquanto um espera nos portões maternos
o outro encaminha-os ao lixo, ao pó ou ao terno
ele prepara o espírito para entrar na morte
o outro faz intriga no corpo para expulsar a alma
e quem dá as boas vindas não abre a porta
e quem chora à saída pouco se importa
e quem prega que a vida é feito uma morta
já esta sucumbida e tida na horta
dos mil fantasmas da ambigüidade mortuária
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22/Janeiro/2006 às 11:50 pm (Poesia)
decida pelo o que teu coração aquece
decida, antes que tua loucura te esqueça
dê o que há de melhor e caduca a tua cara
porque ninguém paga o preço, de tua falta
o tempo leva mais, a mente busca pouco
pare com teus bailes de lado à lado
decida pelos parceiros, tua família
decida por ficar mais tempo conosco
decida em decair para cima
decida, decida, a tua flor
a tua flor decida, pelo bem
decida pelo bem que for
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21/Janeiro/2006 às 5:50 pm (Poesia)
revolucionariamente estético
olhem como é bonito o escuro
tudo escuro, hipotaticamente
frescamente uma piada fina
a tua crina à parafina
olha como é belo
teu grito introexpansivo
tu é mudo até de boca calada
ó meu moço, pensa no poço!
pateticamente cético
como era bom o antigo vinho
divagando descrente no mundo
aprendendo com as paredes nuas
sem vesti-las com a tua moda
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19/Janeiro/2006 às 10:59 pm (Poesia)
sobre o tenro céu anil
há um poente vazio
dos olhos que se encontrarão
antes do amanhecer
após o velho brio, a luz
que vai entorpecer à moléstia
antes do amanhecer
dos corpos que se encontram, vazios
pela penumbra das sombras e das clareiras das árvores
vá pelo canto donde as nuvens não te encontrarão
virá outra vez o velho sábio da moléstia crônica
ai, meu deus, quanta espera eu terei de beber nesta Terra!
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6/Janeiro/2006 às 3:34 am (Poesia)
toda tua atenção pra mim
neste dia que enfim
foi melhor do que o comum
o sorriso não me fugiu
apareceu e se abriu
foram muitos e não só um
eu que de todo este impacto
ga-gaguejei sem correr
corri sem sequer querer
desabafando o colapso
ai se de mim sobrar história
prometo te conto de memória
o quão bom é estar com você
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