26/Dezembro/2005 às 7:57 pm (Poesia)
me castigou como assassino
ainda creio que fui vitma
estúpida foi a força passageira
nunca estive sozinho
mas sempre estive com medo
o sapato é curto
tinha um pedra no sapato
e machucava o pé
ando com os pés descalços
com os pés nus
para não me machucar
com a pedra no sapato
por que o sapato é curto
sempre com medo
negando à todos
de repente uma vontade
fui como vítma
Ele quis assim
e me condenou
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24/Dezembro/2005 às 3:56 pm (Poesia)
e quando deus me perguntar
o que sinto?
eu vou dizer que quero sair
daqui, e que ele me desculpe
estava legal até minha barba crescer
e agora o que dizer?
quando deus descer entre duas vermelhas nuvens
no temporal do sem tempo
eu vou dizer que quero seguir
longe de mim ficar, quero mais é partir
para onde os porcos cantem sem medo
de se emporcalhar na lama do desespero
eu quero mesmo é ficar aqui
quieto no escuro de onde possa ver
o futuro sair pela ampulheta
sem medo das caretas do passado
eu quero mesmo é repercutir
nas brumas de plástico azul
fazer um ninho de palha de aço
me pintar de palhaço
e gritar ao deus
sou teu filho, não nego
mas me gosto assim
pintarei um retrato de um bom fim
ei de querer vestir a vestimenta dos doze anjos
beber do mesmo vinho, doce e seco,
que sem preço beberei, ao lado do senhor
que nem sei quem é
mas que gosta de mim
ai de mim se não dizê-lo
o quanto eu ando sem apego
desta vida, sem rumo ou saída
quero eu me sentir seguro
sem dar murros no meu desejo
será que é da vida, será que da morte
não há espinho que traga alegria
nem há dente que não perca o brilho
falarei do meu desencontro
o que eu não se eu o faria
fará um canto com o suspirar do ar
ele pode e não me negará
mais um copo de água filtrada
destilada, maltratada e despercebido
olha isso meu deus
eu sou o retrato do que sobrou de tudo
olha, mas me olha como um desconhecido
que de pé anda caído, andando com os pés no chão
não vago entre as poesias do passado
nem, muito menos, nem tenho mais coragem
a loucura me mandou parar
dê-me um consolo, ou um pouco pergunta
ando me confundindo com postes
com esquinas e muretas
e se deus pedir resposta?
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23/Dezembro/2005 às 5:14 am (Poesia)
o mundo pede alma
eu sou pão
os urubus que me desculpem
pois sou semente
e de hoje em diante plantação
indecisos pedem calma
eu digo não
o duo-eu dentro de mim que me desculpe
pois não sei ser
e de hoje em diante serração
moléstia que feriu a carne
sou santo então!
se o morto é vivo, me desculpe
tenho raízes no céu
e cuspo firme em meu brasão
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23/Dezembro/2005 às 2:08 am (Poesia)
ei você, quero identidade
dá-me um pouco de bondade
por caridade à um pequeno fraco
gritando por todos nós
quando me olho no espelho
a face de quem eu não sei
nem mais sei o que mereço
diante dos fatos
cegos e girassóis
nesses retratos de infância
a minha cara lavada
amostra do que um dia fui
e neste tapa de agora
um grito à fora de todos nós
quero um pouco de intensidade
para um pequeno com pressa
atravessando as ruas sem olhar
o lado de quem vai ficar
aqui, sozinho, como nós
neste mundo gritante
bebo um refrigerante pra distrair
fumo um cigarro e as nuvens brancas
estão lá no mesmo lugar
espera que vou te querer, um dia te querer
um rosto tão triste e só.
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22/Dezembro/2005 às 2:35 am (Poesia)
essa insensatez
pra lá de três pés do rio
rasante nas asas do anil
céu e mar no horizonte
vai levando o assovio
e há três cuidados pra se tomar
o trago da discórdia
o beber do dar sem conta
o trair-se de se negar
ai se a minha cor desbotar
quando teu olho me ver no rio
eu tenho que rever meus olhos pra ti
antes que a febre do desespero
me traga a frieza do desencomtro
eu trilho na alegria da solidão
desde quando tive um amor
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17/Dezembro/2005 às 2:24 am (Poesia)
que o inferno é aqui
já não mais duvido
as paredes ainda são as mesmas
e as cores defumaram-se ao ar
a anca de jó
silenciou a veneziana da janela
o inferno é aqui
e a dúvida não é.
escadas não sobem
eu subo, as escadas
são ao prumo e de cobre
descem de mim os movimentos
para faze-la escada.
que a vida é aqui
já não mais receio
o receio é de não estar aqui
e os amores padecem as brasas
o conto do só
calou então voz que dizia
que há vida aqui
e a dúvida é o que há.
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12/Dezembro/2005 às 4:50 pm (Poesia)
tenho um olhar maldito
daqueles em que se chora
só de olhar
de tão bonito, caem-se as folhas
tenho um ódio guardado
de mim, é o ódio enfim
quase mútuo, de mim à mim
um fado pincelado em vermelho
murcharam-se na primavera
dois mundos que enegreceram
o da vida e o da morte
deuses que se perderam
…e os que se perderão
para que na minha hora
seja-me dito o que quero ouvir
a minha verdade
Por que vim?
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12/Dezembro/2005 às 10:47 am (Poesia)
eu sou automático
como um velho caquético
patético, lê o jornal
um moderno pós estético
o víril é o arquétipo
da malícia da videira
era maléfico
uma cobra no vendaval
soprava a ventania
agredia, o som épico
das cordas de um prédio
no jardim suspenso da grande (hímem) cidade
para contrariar a automaticidade virgem
de dentro à fora.
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11/Dezembro/2005 às 10:59 am (Poesia)
retorna o pássaro ao seu ninho
com o alimento da vida em si
bate a asa e após retoma o sussuro
que o mundo pôs para ti
retorna o pássaro ao seu coração
dos homens, espadas cairam com o sangue
agora a lágrima da culpa e da glória
retorna ao coração que está no auge
no topo da vida, caído em choros
o coro do mundo, piedade benvinda
ao choros que a falta de si, banido
o cálice da dor foi consumido
cai o último tabú, as asas se abriram
e se abrirão os olhos para o futuro
o prazer de estar bem em mim vivido
não há mais pássaros neste ninho infame
sou apenas um grande espírito que não sabe fingir
por não saber de si, ele vai por onde caiu, tantas
mas tantas vezes mais quanto necessitou para sorrir
o EU em Mim
pássaro concreto
o ninho e a morte
EU em si, aqui!
parado a olhar o trânsito das palavras ditas.
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7/Dezembro/2005 às 10:35 am (Poesia)
sem água ou sal, eu corro, eu corro
nos quintos dos infernos eu caduco, eu corro
o fim da mata dos mil sóis encarcerados
a Virgem ata o nó de nossa forca
Eu urru, este silêncio me condena
por que todos me olham nesta desgraça?
onde está a graça de estar caída?
eu faço repente entre as paredes
rebento os laços e fitas destas fossas
acompanho-te há tempos finos
fria, deixo-me teu lábio mordiscar
tua querida amiga, ânsia de cada dia
sou eu amiga, irremediável e loucura
te pego pelos pés sem crer no teu aborto
o afago que te dei não é o único recebido
você está com tanta dor no corpo e na mente
te encurva e te esconde entre meus dentes
te protejo de todo o mal, que eu te esquente
no inverno que chega aos teus braços sóbrios
eu sou tua vida e tua morte
tua calma de todo dia a te esperar na porta
de quando em quando você veste esta vida
mas logo a ferida começa a sangrar novamente
é de Édipo e de Prometeu teu medo ateu
buscando toda glória materna no ventre feminino
e de conquistas para teu ego, a glória final
a fatal revolta que te levará a vida
deixe-me te adormecer os passos
sou mulher e te quero aqui
meus laços e fitas pregados ao tempo
tem enlaço com um abraço sofrido
de mães que não encontram seus filhos em todos os dias que estão por vir
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