Revolução! ou a Alma Armada

Anjos inalados
Sombra sem compasso
renovando o ventre de minha mãe
antes que posso encontrala

Púdico dever impróprio
Metódico, anti-caótico
Por entre as pernas brancas
O virgem desconforto de ter
pontes no paraíso
Caem antes de poder cair
Todo colapso armado
Matando, MATANDO
O plexo onde o Sol cativa.

I Want Much Smile (For My Mind)

quando minha mente embaça
não há mais nada
tudo fica sem forma ou direção

i want much smile for my mind

e de pão em pão vou vivendo
não quero karma
tenho que cuspir o meu veneno

quando uma lembrança me detém
sou refém de uma esperança
que por pouco se mantém

i want much smile for my mind

e enquanto tudo se perde
vou rindo de mim
no abuso do purgatório
um sorriso, até que enfim…

i want much smile for my mind

Poema ao Lado

mas o meu medo é do passado
vem um fantasma do meu lado
dizendo baixo e acomodado:
a felicidade é um pecado

passando pelo vazio acalentado
tropicando pelo sorriso dado
vai-se as tranças do malgrado
escoar os pés do meu corpo farto

Sussuro em Si

vide o eu sorrindo em canto
para não te deixar em pranto
me calo o coração sem mais
meu eu a teu dispor, tuas mãos
traçando meu futuro pleno
vou com nudez ao sereno perpetuar

Flores De Mim

não posso ser
uma flor em um jardim
elas morrem e apodrecem
após o extase do belo
quero ser um homem
que percebeu sua beleza
após negar o anseio do ego

Vide o Eu (sorrindo em canto)

ah, como eu amo!
amo tanto e então
tenho um sorriso de Narciso
que se abre nos olhos de quem não me vê
agora, queria estar perto de quem preciso

ah, como eu penso!
penso tanto e então
tenho um pensamento leve
que a lembrança me recebe a cada minuto
agora, queria estar relembrando tua pele

ah e como eu amo!
amo-te tanto
tenho um verdadeiro universo a te dar
que se revela com ar que nos envolve
agora, esta distância não há

Dos Campos Em Que Se Morre

anjo ensacado
põe a parede abaixo
muro de corta-vistas
anjo ensopado
asas de couro verde
regurgitando a nata social
na sala de tevê, encobertos
vêem-se na tela davinciana
as asas do homem moderno
américa sempre eterna até o último dia
do homem simétrico cai a chama
chama-o TOLO a sua memória de anjo
sala de espera de um açougue humano

Cães

os cães não morrem em casa
perdendo os pelos finos
traça
a rua passa
por entre sonhos meninos

põe teu casaco e se vá
por entre os destinos
caça
a presa ataca
sangrando os dentes caninos

o cão
o cão da Lua Nova
lá vem de São em São
São Pedro da Mente-Turva
curva-te meu louco irmão

Aos Ares Dos Amores

tua mão paira sobre meu peito
vento tranquilo sopra a alma
fecho os olhos e penso em nada
o céu de sentir tua mão em mim

o beijo foi o tudo do todo do sempre
o beijo que tu me deste perpetuou
o beijo e o abraço, foram sinceros
o beijo que tua boca me beijou

tua cor é luz ou fantasia?
és alma pura ou fogo ardente?
quero saber onde está teu sonho
ou se és o desejo perfeito de minha mente

Sob O Encantadouro

chão que treme quando passam as dores
sacudido encarcerado entre tempo-espaço
sobram-me rastros
sobre meus ombros, dois breves atores

já já o consumo, demônio arcaico
te queimo o rabo
tosto-te os peitos firmes de mãe
despedaço-te
saia! anjo banido
que tua asa voe como pluma solta
que me leve contigo
eu vou, além do encantado

« Entradas antigas