30/Agosto/2005 às 3:00 am (Poesia)
era apenas um passeio ao infinito
que eu busquei por tanto tempo
por horas sonhava em milênios
dando inicio à um penoso atrito
de certa forma o paraíso me será reservado
será sim, pois tenho bons atos e vontades
darei um salto na imensidão do exato
para mergulhar no distúrbio do concreto
vou plantar plantas secas no jardim de casa
vou plantar castiçais e velas negras
vou plantar plantas secas no jardim de casa
vou plantar bons passos para a morte
até chegar, serei quem sempre quis ser
à cada olhar no mundo, sinto nossa distância
a solidão de todas as nossas arrogâncias
brincando feito crianças em frente do portão
hoje é um dia lindo pra se ir embora
um dia lindo para nunca mais voltar
serei o mesmo na minha alma montruosa
serei o mesmo, para nunca mais voltar
vou plantar plantas secas no jardim de casa
vou plantar castiçais e velas negras
vou plantar plantas secas no jardim de casa
vou plantar bons passos para a morte
até chegar, serei quem sempre quis ser
à todo instante só, o mundo rabisca vazio
aquela poesia esquecida dos olhos alegres
do homem que morreu quando só se viu
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13/Agosto/2005 às 4:52 am (Poesia)
quis hoje, ser um verso
quiçá, um vento deserto
quem derá deramar-me em si
ou ter uma casa de inverno
poderia até ter cabras
vacas, cães e gaivotas
sob um céu azul tão lindo
o ar limpo cruzando o campo
quem derá ter um canto
para sequer morrer em paz
poderiam ser rasas ou profundas
minhas olheiras de sono
atravessando as noites
cobrindo meu ego de pranto
eu vi um lindo dia
em que as flores brotavam do céu
as águas subiam os morros de cá
e um velho que se divertia
uma criança caduca e feia
chicotes largos em punho
um matrimônio fúnebre
aguardando as lágrimas
no noivo passar
eu via então os campos de fora
pelos olhos de dentro de cada um
via-se o brilho tingido de mar
turbulendo em plena lua cheia
um lindo dia para se ir embora
e não querer nunca, nunca mais voltar
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7/Agosto/2005 às 3:03 am (Poesia)
após uma taça de vinho qualquer um vira sábio
com exelência em desejos inseguros e objetivo
poucos entendem a natureza do corpo póstumo
e quem quer saber da crueldade do semi-vivo
donde vem estas cartas postas a mesa central
sumo desperdício à crua nua fortaleza de ser
por todas as vias somos iguais à Deus e em nome
por todas as razões o futuro nos reservará o fim…
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3/Agosto/2005 às 8:06 pm (Poesia)
que é a vida? alguém um dia poderá vivê-la de verdade? quem são estes estranhos e surpreendentes pais, que no adestram para o mundo que necessita da gente em alto e bom físico para o caos da vida sedenta por matérias? quem é esta vida que nos prende? será que há vida na terra?
por que de todas as loucuras, mortes, teorias, manipulação? que querem estes que nos escondem e nos entitulam, estes que esperam que nunca sejamos o que não querem, tendo que andar sobre este trilho, cujo o fim já tem dono?
para aonde vamos? para aonde vão nos levar?
tenho agora uma enorme tristeza em mim, ela havia desaparecido, desaparecido com um grande amigo suícida, que desde então nunca havia mais pensado no mundo. e agora minha cabeça se moveu outra vez. mas para onde eu vou?
por que? por que as grandes nações tendem sempre a gananciar os seus atos, guerra, fome, prostituição, exploração, como e porque? como o ser humano pode ser tão podre… eu tenho imensa vergonha de ser da mesma espécie que um hitler ou uma carla perez. pessoas que usam do poder ou da falsa imagem para se sobresairem, embalados pela loucura da materialidade.
HÁ ALGUEM MORRENDO DE FOME AGORA, HÁ ALGUEM COMENDO LIXO, HÁ ALGUEM SENDO ASSASSINADO, HÁ ALGUÉM TE ROUBANDO…
agora você se pergunta, quem me rouba? e daí… crianças morrendo, nem se importa, mas se sua familia morresse iria desabar em choro, mesmo que seu pai seja um político de cuecas largas…
quem pode parar a fúria que a sobrevida te apresenta? quem pode olhar pelas grades da sua gaiola, quem pode abrir as asas sem medo de já estar sujo no ar denso das obrigações de comer, dormir e trabalhar?
trabalhar para comer, comer para trabalhar? isso é vida, eu tenho medo, meus pais acham a leitura de um livro “qualquer’ desnecessária, mas como? como podem substituir a vida pela persistência em existir?
de onde vem todas as “necessidades” da vida? casar, ter filhos, ter um trabalho descente, achar o máximo olhar gugu e faustão no domingo? onde esta tudo o que perdemos? onde esta o que eu preciso? nunca foi tão fácil ser assim, comum… mas como é difícil ser feliz de verdade, já dizia raul, “é pena não ser burro, assim não sofria tanto”.
queria poder mudar o mundo, numa palavra só. mas como mudar o mundo a partir de si, se cada si nesse mundo é uma diminuta frase da imensa biblia global do egoísmo e do poder? eu sou só uma sílaba dentro de todo o contexto de vida. eu quero viver, mas parece cada vez morrer mais…
de vagner, cansado deste mundo em mono, queria ter um pouco de ar para não só estar…
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